Política

USF da Dutra espera há 4 meses por ar-condicionado

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A nova estrutura da Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila Dutra, inaugurada em setembro do ano passado pela administração municipal, ainda é comemorada pela população do bairro. Mas por mais elogiado que seja o atendimento, ele é incapaz de inibir o incômodo do calor, que castiga funcionários e pacientes, especialmente a partir das 10h. O prédio foi entregue com 12 aparelhos de ar-condicionado, que até hoje não foram instalados.

Segundo o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti, a empresa responsável pelos equipamentos ainda não entregou o 13º deles.  Só então servidores da Secretaria de Obras finalizarão a instalação elétrica, que permitirá ‘refresco’ aos usuários. “O sol bate de frente, é difícil aguentar. Além disso, vencerá o prazo de garantia sem que sejam testados”, comenta Rose Lopes, usuária da unidade.

Militante antiga na área da saúde, ela demonstra preocupação com a manutenção de medicamentos na unidade, já que a média da temperatura neste mês é de 31 graus. “Tem também a questão da área de expurgos (de curativos, por exemplo). Não pode ser quente, as bactérias se proliferam ainda mais”, adverte. Para amenizar a situação, ventiladores foram instalados provisoriamente, conforme a reportagem constatou no local.

O receio, porém, era de que a Prefeitura de Bauru tivesse gasto com eles, sendo que investirá aproximadamente R$ 5.300,00 para fazer as instalações dos 13 equipamentos de ar-condicionado, adquiridos por R$ 13 mil, informa assessoria de imprensa da prefeitura. O órgão de comunicação ainda acrescenta que não houve compras recentes e especificas de ventiladores para a USF Vila Dutra.

A informação foi reiterada por Monti, segundo quem os aparelhos encaminhados à USF estavam sem uso em outras unidades da Saúde.  “É uma situação absolutamente provisória e  um problema muito próximo de ser solucionado”, destaca.

Exames

Existe, porém, outra queixa a ser resolvida, cujo cenário extrapola o bairro em questão. A USF da Dutra colhe exames laboratoriais de apenas 35 pacientes por semana. Em muitos casos, o usuário aguarda um mês e meio pelo procedimento. “Como a unidade está crescendo, queremos que os exames sejam coletados duas vezes por semana”, reivindica Rose. Fernando Monti pediu à equipe dele que avalie a situação para que a demanda aumente.

Ele, no entanto, informa que, no segundo semestre do ano passado, parte dos exames passou a ser contratada pela administração municipal. Antes era uma atribuição exclusiva do Estado, que abarcou várias outras cidades no convênio. Como Bauru é polo regional de saúde, o mesmo contrato passou para a prefeitura, ainda contemplando outros municípios, inclusive de fora da região. O contexto provoca dificuldade de cota, embora o laboratório faça além do contratado.

Monti, inclusive, defende que o contrato atenda apenas Bauru, medida que será tomada de forma progressiva, sem prejudicar municípios vizinhos. “Não vamos tomar qualquer decisão abrupta. Temos um problema de gestão num contexto maior do que a Vila Dutra, mas como por lá são só 35 exames, pedi a minha equipe para fazer uma avaliação para checar se não dá para aumentar já”, conclui Fernando.


Equipes mínimas

Atualmente, a UBS da Vila Dutra conta com duas equipes mínimas, ou seja, dois grupos de profissionais (formados, cada um, por um médico, um enfermeiro, um ou dois auxiliares de enfermagem, um dentista, um auxiliar de dentista e seis agentes de saúde) para atender aos moradores do bairro, conforme preconiza o Programa Saúde da Família.

Ocorre que, segundo a moradora Rose Lopes, o prefeito Rodrigo Agostinho havia prometido três, sendo que cada uma delas atende 3.500 pessoas. “Não é a demanda que procura a unidade, nós é que procuramos o paciente. É um princípio do PSF. No levantamento de território que fizemos, já passamos do limite que nós tínhamos da pista (Elias Miguel Maluf) para conseguir completar a população necessária para as equipes”, explica Monti.

De acordo com ele, para aumentar a equipe, o território terá de ser ampliado, abarcando a população atualmente atendida pela Unidade Básica de Saúde, que funciona na quadra 13 da avenida das Bandeiras. Neste caso, a UBS seria fechada. “Achamos uma boa alternativa, mas não vamos tomar uma decisão autocrática sobre isso. A população estaria bem servida, mas às vezes ela não tem esse entendimento. Eles quem vão decidir, eles quem escolhem”, conclui.

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