Não é todo mundo que tem dinheiro para investir no sonho de consumo destes dias quentes, um ar-condicionado. Um investimento em torno de R$ 2 mil (contando a mão de obra da instalação). Sendo assim, na hora de se refrescar, o aparelho preferido ainda é o popular ventilador. “Sem ventinho, não dá”. Nem que seja para ventilar o ar quente. Mas ele é mais do que necessário. O modelo pode ser de mesa, de teto, de parede. E tem também o de mão. Não importa, ninguém dispensa um.
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Alexa Mita |
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Mario Luiz Negrão Rocha viu os pedidos de revisão de aparelhos aumentarem muito; limepza técnica é fundamental para manutenção |
Sempre quando chega o verão o consumo aumenta. O que o lojista não esperava é que o calor atípico deste, com menos chuva e muito mais quente, aumentasse tanto a procura pelos aparelhos. Foram pegos de surpresa. Ninguém sabia que seria assim, não houve como o lojista se preparar. “A gente já repôs nosso estoque, mas agora os fabricantes já avisaram que não terão mais para entregar, não estão vencendo a produção, a fila de espera está grande. Muitos modelos já estão em falta”, diz Hilda Meca proprietária há 18 anos de uma loja especializada em ventiladores.
Mesmo que os meteorologistas não confirmem que este é o verão mais quente dos últimos 18 anos, ela confia mais é sua percepção de mercado. E diz que nunca viu um mês de janeiro como o último. “Para se ter uma ideia vendi em janeiro em uma semana o equivalente à venda do mês inteiro o ano passado”.
Briga e facada
Ela conta casos curiosos que estão acontecendo na sua loja. “Ontem, por exemplo, saiu daqui um senhor levando um ventilador rosinha, desses de quarto de menina. Era o que eu tinha e o que cabia no bolso dele”, diverte-se, claro, lembrando que não há preconceito, mas dificilmente venderia um ventilador rosa para um homem em outros tempos.
Mas houve outra história nada divertida. Esta semana a empresa dela recebeu o pedido de cotação de um volume grande de aparelhos por parte de uma empreiteira de Lins. Há um canteiro de obras por lá e o dono da construção resolveu comprar um aparelho para cada um dos que estão alojados para “serenar os ânimos”.
Ela soube que um dos trabalhadores tinha um ventilador. Ligou e dormiu. “O amigo tirou e levou para sua cama, quando o dono acordou e viu que estava sem o ventilador deu briga, rolou até facada”. Para acalmar e literalmente esfriar a cabeça dos homens que mal conseguem trabalhar de dia e não conseguem dormir à noite por causa do calor, o empreiteiro resolveu comprar um aparelho para cada um.
“Mas eu não tinha para atender tudo isso e não havia perspectiva de pronta-entrega. O que temos está aqui. Depois que vendermos vai demorar para repor”, diz.
Vale a pena consertar
Mário Luiz Negrão Rocha tem uma empresa de reparos e consertos de todo tipo em casa. É uma espécie de marido de aluguel. Viu nos últimos dias os chamados para colocação de ventilador de teto aumentar. “Na base de 4 vezes mais”, diz. E também os consertos e pedidos de revisão. Ele lembra que só quando chega o calor insuportável a pessoa lembra que tem um ventilador jogado lá no canto, “vai ver o aparelho gira fraco”. Acontece muito de as pessoas acharem que por ser algo relativamente barato, não compensa consertar e partem para comprar outro.
Para ele, isso é um erro. Ventilador é um aparelho com mecanismo simples, tem reparo rápido “e compensa, porque em geral arruma-se e ele tem uma vida útil por muito tempo”. Muitas das avarias são ocasionadas apenas pela necessidade de ajustes, decorrente do tempo e do uso e até por limpeza. Muita gente descarta aparelhos bons, apenas por falta de manutenção.
Para fazer uma comparação, um reparo de um ventilador, com capacitor ou troca do condensador, vai custar no máximo R$ 70,00 (mão de obra e peças incluídas). E o aparelho volta a funcionar como novo. Comparando com o preço de um novo e ainda com o fato de que não há na praça, compensa as pessoas cuidarem do seu usado. E ele vai ajudar se não a refrescar, porque o ar é quente mesmo, pelo menos a ventilar. O que já é um bálsamo, até que dias mais amenos venham.
Preços mais altos
O consumidor vê diferença também no preço. Em média, segundo Hilda, cada aparelho já estava 10% mais caro, e “este ano houve novo reajuste por parte das fábricas, na ordem de 8%”. Que, claro, os comerciantes repassam para os consumidores.
A média praticada no comércio bauruense está em R$ 115,00 para os de teto (mas é preciso pagar a instalação); R$ 145,00 de parede e R$ 130,00 os de mesa. Um climatizador, um pouco mais sofisticado chega a R$ 200,00. Mas há os mais sofisticados, e o preço pode chegar até a R$ 300,00. Isso sem falar nos de teto com controle remoto. Aí só o céu é o limite.
E até em camelôs os pequenos, individuais, aqueles ventiladorezinhos de rosto (alguns até ajudam a aspergir água) estão em falta. Viraram artigo de primeira necessidade, com preço de luxo. Um que custava de R$ 10,00 a R$ 20,00 não é vendido por menos de R$ 30,00 a R$ 40,00. Isso quando se encontra para comprar.