O presidente da França, François Hollande, decidiu enviar 400 soldados adicionais à República Centro-Africana, com os quais o número de soldados franceses nesse país passará a 2 mil no total, informou nesta sexta-feira (14) o Palácio do Eliseu.
Segundo o comunicado, esse esforço complementar inclui o desdobramento antecipado de forças de combate e de gendarmes franceses que participarão posteriormente na operação militar da União Europeia (UE).
A decisão foi tomada após um restrito conselho de Defesa, no qual foi lembrado que o objetivo da França é apoiar à Missão Internacional de Apoio (MISCA), prevenir os crimes de guerra e restabelecer a segurança da população local.
"Todos os inimigos da paz serão combatidos. Não haverá impunidade para aqueles que tenham cometido crimes", assinalou a nota da sede da Presidência francesa.
O conselho levou em consideração a chamada a favor de uma mobilização internacional realizada pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e a decisão da UE de empreender uma operação militar nesse país.
A República Centro-Africana é devastada por um conflito religioso entre a maioria cristã e a minoria muçulmana. Milícias muçulmanas tomaram o poder no pobre país africano e levaram Michel Djtodia à Presidência em março de 2013.
Após a renúncia de Djotodia, em janeiro deste ano, uma onda de retaliação teve início, e grupos cristãos passaram a perseguir muçulmanos. Organizações não-governamentais denunciam uma campanha de limpeza étnica.
O Conselho de Segurança da ONU mobilizou tropas de pacificação da União Africana e da França, mas o contingente têm se mostrado insuficiente para conter a violência.
A operação do Exército francês foi iniciada no dia 5 de dezembro 2013, dia em que o Conselho de Segurança da ONU autorizou essa intervenção com o objetivo de restabelecer a ordem no país, onde tinham várias centenas de pessoas tinham morrido em confrontos entre a milícia Seleka, leal ao presidente Michel Djotodia, e o grupo Anti Balaka, seguidor do deposto antecessor, François Bozizé.