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Hipnose requer responsabilidade


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Geralmente tida como mágica ou enganosa, a hipnose tem reconhecimento dos Conselhos Federais de Medicina, Odontologia, Psicologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Mas, apesar de válida, a prática deve ser usada com responsabilidade, já que há implicações em outros tipos de tratamento.

O psicólogo Benomy Silberfarb, que usa a hipnoterapia, ministra curso com apoio do Conselho Federal de Psicologia e defende maior profissionalização na área. “Qualquer um aprende hipnose, mas o que fazer com ela é outro problema”, afirma. Ele acredita que é preciso ter capacitação acadêmica em saúde para manejar a prática.

Silberfarb ressalta que há uma parcela da população que não deve ser hipnotizada. Estão incluídos nesse grupo portadores de transtornos mentais, que apresentam delírios e alucinações. A hipnose pode agravar o estado dessas pessoas, já que esse tratamento incentiva o paciente a imaginar cenários irreais.

A prática pode ser usada em conjunto com cirurgias. Segundo Benomy, a hipnose gera um relaxamento que promove queda da pressão arterial do paciente, reduzindo os sangramentos. Além disso, o estado mental do paciente o permitiria sair do foco da dor, às vezes dispensando o uso de anestesia.

 

Suscetibilidade

Benomy explica que, para hipnotizar alguém, deve haver primeiro uma psicoeducação, relação baseada na confiança, permissividade, vínculo e cumplicidade entre profissional e paciente.

Ou seja, é preciso que se queira passar pelo processo. Com experiência de 37 anos em terapia cognitiva comportamental, Benomy diz que consegue até identificar quem é suscetível à hipnose apenas pela voz ou pelo olhar. “Alguns trabalhos científicos mostram que a hipnose é a comunicação mais perfeita entre duas pessoas”, complementa.

Aqueles que estão mais facilmente suscetíveis devem desejar a imersão e às vezes têm alguma frustração. “Ansiedade é um prato cheio para a hipnose, fobia também”, aponta o psicólogo.

No entanto, há quem não seja suscetível à prática. Para Benomy, são as pessoas controladoras e obsessivas, que oferecem maior resistência ao procedimento. No entanto, mesmo elas podem ser afetadas, após certo tempo estando sujeitas à hipnose, segundo o psicólogo.

 

Respaldo e cautela

O uso da prática no lugar da anestesia em cirurgias ainda não é cientificamente comprovado, segundo o conselheiro regional do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Carlos Alberto Monte Gobbo.

“Deve ser feito com protocolo da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep)”, esclarece. Além disso, uma instituição de pesquisa credenciada à comissão – uma universidade, por exemplo – precisa supervisionar o processo.

 

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