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Bufunfa

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Numa cidade paulista de 180 mil habitantes, um deles é autor da aposta ganhadora de R$ 111 milhões da Mega Sena. Como tenho um amigo em Santa Bárbara d?Oeste, sigo na torcida em nome dos "velhos tempos". Quem sabe não é ele?

M. (vamos chamá-lo assim) é daqueles caras de ironia afiada. Provocativo com serena naturalidade. Aproveitou seu tempo de universitário em Bauru muito bem acomodado em casa da quadra 1 da rua Capitão Gomes Duarte, Altos da Cidade. E teve, a partir de lá, suas boas aventuras, como quando, com outro amigo nosso, foi parar em Brasília de carona e viu Collor elegantemente descer a rampa.

Meus irmãos de república da Capitão acharão que estou elogiando demais, mas o que resta a fazer? Pode ser ele o dono da nova fortuna! Quero viver de bem com essa possibilidade. Só espero que a grana não mude sua afeição pelos amigos da antiga.

Estou, portanto, a esperar a ligação que venha com boa notícia e sem muitos rodeios. "Então, João, você viu aí no noticiário, né? Bom, fui eu. Quero que poucos saibam, lógico, mas não poderia deixar de lembrar de você. Conhece Fernando de Noronha?"...

Enquanto isso, na Itália, leio que um ex-atacante da seleção, Christian Vieri, foi à falência após perder R$ 51,5 milhões com sua empresa. Mamma mia! No fim das contas, muito dinheiro não parece mesmo combinar com humanidade. Se temos cotidiana dificuldade para achar a moeda que ajudará no troco, que dirá administrar uma bufunfa daquelas?...

Pensando bem, que meu amigo M. se vire sozinho se for ele o milionário da mega. Hum, milionário da mega: isso não lembra coisa boa. Eu, hein? Vamos de menos, vamos de leve: onde guardei aquela raspadinha da moto mesmo?


O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC

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