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PERFIL - Carlos Motta


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Carlos Motta é um dos mais premiados designers do cenário nacional. Arquiteto de formação, preserva em seu trabalho a cultura do projeto, a produção semi-industrial, em ateliê. Assumido apaixonado pela madeira, sobretudo a maciça, já trabalhou com praticamente todas as variedades colocadas à sua disposição, com destaque para o mogno, o cedro, a cabriúva e, mais recentemente, o cumaru.

A honestidade e a qualidade de elaboração são marcas registradas de seus móveis, feitos para durar muito - sofás, poltronas, espreguiçadeiras, mesas, além de muitas cadeiras. Entre elas, a clássica São Paulo, de 1982, que conquistou o primeiro lugar no 2.º Prêmio Museu da Casa Brasileira.

Avesso a vanguardismos de qualquer espécie, Motta, em seu mais recente trabalho, uma linha de móveis para a catarinense Butzke, prefere navegar as águas calmas da continuidade. "São móveis belos, simples e confortáveis de usar. Já está de bom tamanho", afirmou.

Comente sua mais recente colaboração com a Butzke, de Santa Catarina, as linhas de móveis Alvorada e de cadeiras Brisa.

Carlos Motta - Já trabalho com a Butzke há alguns anos, mas essa é minha primeira coleção inteiramente desenhada com cumaru maciço. São poltronas, espreguiçadeiras, mesas, sofás e cadeiras produzidas com uma madeira sensual, de toque agradável, alta resistência e, o que é mais importante, 100% certificada pelo selo FSC (Forest Stewardship Council), o certificado internacional de manejo florestal.

Você já afirmou que nunca teve pretensões à vanguarda. No seu entender, quais as principais qualidades dos seus móveis?

Carlos Motta - Nenhuma pretensão. Nem à vanguarda, nem ao chamado retrô, ou retrógrado, como prefiro chamar. Nos meus 37 anos de carreira, sempre procurei desenhar para o hoje, a partir dos recursos que tenho à mão, sem grandes pirotecnias e da forma mais honesta possível. O que significa, obrigatoriamente, ser responsável do ponto de vista social e ambiental. Esse, sempre, foi meu maior objetivo.

Dizem que a cadeira é um dos móveis mais difíceis de desenhar e o que melhor sinaliza a habilidade do designer. Após ter desenhado mais de 20 modelos, você concorda?

Carlos Motta - Na maior parte dos casos, sim. A própria natureza desse móvel faz dele um objeto complexo. Não há nada de simples em desenhar uma cadeira. Você tem de acomodar um corpo em situação de conforto e estabilidade, tendo de 3 a 4 pontos de apoio e, tudo isso, sem abrir mão da elegância do desenho.

A propósito, uma desenhada por você, a São Paulo é um dos móveis mais copiados de todos os tempos no País. A que atribui tanto interesse?

Carlos Motta - Basicamente, a dois aspectos: a São Paulo é uma cadeira desmontável, simples do ponto de vista construtivo e isso salta aos olhos. As pessoas admiram a sua honestidade. Por outro lado, existe algo de nostálgico nela. Difícil quem nunca cruzou com uma por aí, seja em bar ou em um restaurante e isso, em geral, traz boas recordações, a aproxima das pessoas. Acho que isso também colabora.

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