Houve um tempo em que parar para contemplar o horizonte, observar os desenhos das nuvens, admirar o nascer e o pôr do Sol, olhar alguém nos olhos, conversar calmamente com as pessoas eram momentos únicos e lembrados, pelos "antigos", como bons tempos.
Hoje, o que se vê pelas ruas é uma multidão cada vez mais fechada e concentrada em minitelas de celulares e smartphones, com dedos frenéticos a digitar e olhos vidrados em pouco mais 10 ou 15 cm², quando se há um infinito de cores e perspectivas para se admirar.
A cena é mesma em qualquer situação e ocasião do dia: braços flexionados, cabeças baixas e pessoas andando para lá e para cá, como se não houvesse nada em volta, só o celular. Que sociedade é esta, totalmente seduzida e abduzida para um mundo cada vez mais impessoal, frio e sem sentimentos? Aliás, enquanto lê este texto, você olhou para o horizonte?
Quantos rostos, expressões, acontecimentos, luzes, paisagens estamos perdendo por causa das luzes incessantes e nocivas destes aparelhos? Pegando mais pesado, quantas vidas estão indo embora, antes da hora, por total falta de atenção ao que acontece ao redor de nós, com o foco inteiramente direcionado aos celulares?
O que se constrói é uma sociedade egoísta, introspectiva, solitária e individualista. Os smartphones são muito úteis, sim, para o trabalho, para os contatos e, porque não, para o entretenimento. Mas o uso desenfreado destes aparelhos carrega um sentido de total apatia e desinteresse com o nosso par, com o nosso ambiente. E agora, você olhou para o horizonte?
Os que se esperar de uma humanidade que não olha mais para o horizonte, que não olha sequer para frente e para os lados ao atravessar uma rua? Sinceramente, não sei. Só sei que quero para mim a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, e um pouco mais de paisagem no horizonte dos meus olhos.
O autor, Thiago Brandão, jornalista e assessor de imprensa