Éder Azevedo |
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Os delegados Ricardo Dias, Ricardo Martines e Luiz Puccinelli |
A Polícia Civil divulgou um possível organograma que mostra a estrutura hierárquica da organização criminosa desarticulada nesta semana no Jardim Vitória. O grupo é apontado pela polícia como um dos maiores e com mais poder bélico já preso na cidade ao longo dos últimos anos.
Conforme o JC antecipou ontem, após meses de investigação, os policiais conseguiram chegar até Thiago Ramos de Menezes, vulgo Catatau, de 29 anos, apontado como líder do bando, que era assessorado por sua esposa, Letícia Alves Ribeiro, vulgo Leka, de 25 anos, e sua mãe Marlene Ramos de Menezes, de 48 anos, responsável pela contabilidade do crime.
Além dele, Wesley Taumaturgo, vulgo Marquinho, de 23 anos, é indicado como o braço direito de Catatau e sócio no esquema.
Já Leandro dos Santos Silva, vulgo Peixe, de 25 anos, atuava como o gerente de vendas e representava o elo entre os dois sócios, Catatau e Marquinho.
Eliezer Henrique Pinheiro Alves, vulgo Xaninha, de 25 anos, também morador do Jardim Vitória, seria gerente de uma das biqueiras.
Preso na manhã de anteontem, Sidnei Queiroz, vulgo Nei, é apontado como responsável por armazenar a droga vendida.
Já Edypo Pery Barbosa Prado, vulgo Edinho, de 25 anos, comercializaria os entorpecentes, e os irmãos Edivaldo Galdêncio, vulgo Sarna, de 27 anos, e Reginaldo Galdêncio, vulgo Nanaco, de 24 anos, auxiliariam Nei no armazenamento e na distribuição da droga.
Também foram presos Fernando dos Santos, vulgo Fernandão, e os irmãos Lucas Henrique Pereira, vulgo Luquinha, de 23 anos, Luciano Pereira e Leonardo Pereira, vulgo Nardo, que moravam próximos à biqueira do Jardim Vitória e são acusados de participar da organização como “olheiros”, ou seja, eles avisavam os demais sobre a movimentação da polícia no local. Luquinha, porém, também seria responsável por transportar o entorpecente e atuava como vendedor.
No final da operação, anteontem, as equipes da Polícia Civil da Central de Polícia Judiciária (CPJ) deram cumprimento aos mandados de prisão temporária contra Sidnei Queiroz, Lucas Pereira e os irmãos Edvaldo e Reginaldo.
Acusados foram encaminhados ao CDP de Bauru e à Cadeia de Avaí
Alguns acusados foram presos em flagrante e encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. Outros, que cumprirão mandado de prisão temporária, foram para a Cadeia Pública de Avaí.
Se condenados, os integrantes do bando devem responder por tráfico e associação para o tráfico de drogas, além de outras ocorrências distintas envolvendo porte ilegal de arma de fogo.
A polícia suspeita ainda que Thiago tenha vendido, recentemente, um Camaro na cor branca para a compra de um imóvel na cidade, após suspeitar da atuação da polícia.
Após o término das investigações, os bens apreendidos serão revertidos para um fundo de ações de prevenção ao uso de drogas do Estado.
Sem conta bancária
Segundo a polícia, as biqueiras situadas no Jardim Vitória e na Vila Ipiranga faturavam juntas aproximadamente R$ 20 mil por dia.
O curioso é que, apesar das posses e do alto lucro obtido com a venda dos entorpecentes, o líder do bando, Thiago Ramos de Menezes, não possuía dinheiro em contas bancárias, conforme aponta o delegado Ricardo Dias, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise).
“O que intriga é que nenhum dos integrantes dessa quadrilha possui ocupação lícita, ou seja, numa tentativa de lavar o dinheiro obtido com a venda das drogas”, frisa Dias.
Entre as quantias em dinheiro apreendidas nas biqueiras havia mais de R$ 3 mil em moedas.
Origem paraguaia
Outro detalhe que chama a atenção da polícia é que um dos acusados, que não teve a identidade revelada, possui ainda uma carteira de habilitação paraguaia – o que aponta a possibilidade de importação da droga e dos armamentos.
“É um indício de que essa organização também tinha um trânsito fora do País, mas tudo será investigado no inquérito”, comenta o delegado seccional Ricardo Martines.
Empréstimos de armas?
Em posse das armas, a Polícia Civil de Bauru pretende esmiuçar ainda mais a atuação da organização criminosa. “Acreditamos na possibilidade de que eles agiam alugando as armas para outras quadrilhas da região”, aponta o delegado Ricardo Dias.
O fuzil AR 15, apreendido na operação no Jardim Vitória anteontem, possui o mesmo calibre do armamento utilizado em um assalto a banco ocorrido em Avaí, nas últimas semanas.
“Nada impede que essas armas tenham sido usadas em outros tipos de crime, como homicídios e roubos”, reforça Ricardo Martines, antecipando que o armamento passaria por exames de balística.
Para se ter ideia, um disparo do fuzil AR-15 chega atingir até 950 metros por segundo. “Não tem colete à prova de balas que pare um tiro desses. Com certeza, evitamos uma tragédia tirando esse armamento de circulação”, ressalta Martines.
Atuação
O grupo atuava em duas grandes biqueiras na cidade. A principal delas funcionava na quadra 24 da rua Walter Belian, no Jardim Vitória, e a outra na quadra 3 da rua Vidal Inácio Rodrigues, na Vila Ipiranga.
Ao todo, 14 pessoas foram presas na operação realizada anteontem pela Polícia Civil. Outras três continuavam foragidas até o fechamento desta edição – Tiago Luiz Alves, o Tiaguinho; Diego Moreira de Souza, o Japa, e Gustavo Pereira Mendes, o Gu. Um 18º suspeito ainda não foi identificado.