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Entrevista da semana: Rubens Salvador de Oliveira

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

A história do cabeleireiro Rubens Salvador de Oliveira começou ainda na infância, em São Paulo, na barbearia do pai. Ele cresceu e abriu os horizontes se especializando no universo da beleza feminina. Fez cursos no exterior, mas foi no Interior que se encontrou e se consolidou pela qualidade do trabalho, há 31 anos.

Com a experiência adquirida, Rubens “criou” uma grande gama de profissionais de alta qualidade que atuam hoje na cidade. “A mulher bauruense é atendida com o que há de melhor no mundo, porque há muitos salões que estão antenados com qualidade de trabalho, de produto, de atendimento”. 

Apaixonado pelo Carnaval, foi em Bauru que o entrevistado de hoje se encontrou com a folia, ganhando, inclusive, várias edições do Tamborim de Ouro. “Fui conhecendo pessoas e me ligando a elas. Pessoas como o Paulo Keller, o Roberto Godoy, que foram grandes artistas bauruenses. O Jurandir Bueno... E esse pessoal era muito ligado à beleza, ao Carnaval e à comunidade”.

Este ano, Rubens não desfilará, mas promete voltar com sua ala, mais bonita do que nunca, em 2015. Confira estas e outras histórias, a seguir.

Jornal da Cidade – Como teve início a sua carreira?

Rubens Salvador de Oliveira – Primeiro eu aprendi a profissão com meu pai, que era barbeiro, isso quando eu ainda era bem criança, na cidade de São Paulo. Bom, foi na capital do Estado que eu desenvolvi a minha profissão. Eu vi que aquele horizonte da barbearia era muito pequeno e eu queria algo mais. Foi quando comecei a me especializar na área feminina.

JC – E viajou muito para isso?

Rubens – Com certeza. Fiz muitas viagens internacionais para buscar o que havia de melhor para me especializar. Estive muitas vezes nos Estados Unidos, Argentina e em vários países da Europa. Sou um dos maiores propulsores da beleza bauruense. Digo isso porque criei uma grande gama de profissionais de alta qualidade que atuam hoje na cidade. A mulher bauruense é atendida com o que há de melhor no mundo, porque há muitos salões que estão antenados com a qualidade de trabalho, de produto, de atendimento...

JC – Quando você chegou a Bauru?

Rubens - Há 31 anos. Eu estava cansado da minha realidade paulistana e quis procurar um lugar diferente, onde eu pudesse fazer um trabalho diferenciado. Em São Paulo, você se sente apenas mais um. Você soma pouco. Aqui, você tem a possibilidade de somar e fazer o melhor, de se destacar em qualidade dentro da sua área. Quando vim para o Interior, as pessoas estavam fazendo o contrário, ou seja, estavam migrando para São Paulo. E eu já achava que deveria fazer o inverso, porque São Paulo já tinha a sua realidade formada e as cidades menores precisavam de novas coisas, de um padrão de qualidade maior. Aí encontrei Bauru, onde fui muito bem acolhido e decidi ficar. Tenho muitos amigos na cidade, conheço muita gente e tenho a grata satisfação de ter entrado e participado da felicidade de muita gente. 

JC – Qual é a diferença, hoje, do atendimento de São Paulo e do Interior?

Rubens – Hoje, eu atendo muitas mulheres de São Paulo e percebo que elas vêm em busca do diferencial pessoal, de qualidade de serviço, de vida e de amizade. Essa é a filosofia do Interior: o trabalho de qualidade, mas com carinho e amizade. Quando morei em São Paulo, as pessoas já não se olhavam. Hoje elas não se olham, não se cumprimentam e praticamente não se veem. E aqui a gente tem essa qualidade de vida gostosa.    

JC – Você já viajou muito para o exterior em busca de novidades na sua área. Como está o Brasil quando o assunto é a beleza?

Rubens – Eu tenho de dizer que o cabeleireiro brasileiro é um dos melhores do mundo. Antes, a gente não tinha a qualidade de produto que o europeu tinha. Tivemos que buscar no serviço e não na qualidade do produto e, com isso, fomos nos desenvolvendo muito mais que eles. Atualmente, eles têm um legado para uma determinada “moda” e o brasileiro, não. Nós temos um legado para qualquer tipo de moda e qualquer tipo de cabelo. Criamos nossos produtos e exportamos qualidade, hoje. 

JC – Como é a sua relação cliente/cabeleireiro?

Rubens – Tenho clientes de toda a região de Bauru. Já tive a oportunidade de pentear avós, mães, filhas, netas e, agora, bisnetas. Eu acho que as pessoas procuram muito um amigo e elas encontram isso no profissional cabeleireiro, evidentemente que nem todos são assim. Um cabeleireiro consegue ser esse amigo porque ele não vive em um mundo fora da realidade feminina, ele vive no mundo delas, mas preservando a amizade. Quando você encontra um ombro amigo, você sempre se sente bem.

JC – Projetos novos?

Rubens – Temos! Dentro de poucos dias lançaremos uma novidade muito bacana dentro da casa. Será um grande negócio e uma novidade para Bauru. Vamos inovar para dar melhor qualidade à beleza da bauruense. 

JC – Sei que o Carnaval é uma paixão...

Rubens – (Risos) Realmente sou apaixonado pelo Carnaval. Adoro, vou aos ensaios da Cartola e confesso que o sangue fica mais quente (risos). Este ano não vou desfilar porque minha esposa, que seria destaque, sofreu uma lesão na coluna e ainda está se tratando. Mas eu prometo que, no ano que vem, voltaremos a ter uma grande ala no Carnaval de Bauru, uma das mais bonitas da cidade, como eu sempre tive.

JC – Você já ganhou o Tamborim de Ouro, certo?

Rubens – Já ganhei o prêmio por vários anos com uma ala bem bonita, bem legal. Eu conheci e passei a amar o Carnaval aqui, em Bauru. Fui conhecendo pessoas e me ligando a elas. Pessoas como o Paulo Keller, o Roberto Godoy, que foram grandes artistas bauruenses. O Jurandyr Bueno... E esse pessoal era muito ligado à beleza, ao Carnaval e à comunidade. E isso foi muito gostoso porque eu fui me aproximando das pessoas.  

JC – Como carnavalesco, você contribuiu com a beleza do Carnaval bauruense...

Rubens – Hoje em dia, nem tanto, porque nós perdemos aquele feeling de Carnaval família. As pessoas passaram a viajar, a sair da cidade. Precisamos resgatar a folia bauruense, que foi um dos grandes Carnavais do Brasil. Havia muito glamour, muita elegância. Nós não perdíamos para ninguém. Eu curti essa época e me sinto responsável por muita beleza dentro do Carnaval.   

JC – Um grande momento feliz.

Rubens – Um grande momento de felicidade é hoje. O ontem não pode ser mudado e a gente tem que levar a vida da melhor maneira possível e isso, para mim, é ser feliz, autêntico, objetivo e honesto. 

JC – Uma grande tristeza.

Rubens – Bom, eu acho que um grande momento de tristeza é quando você perde alguém querido e eu já perdi o meu pai. Mas, fora isso, a gente se frustra, principalmente, com pessoas. Mas, no dia seguinte, você lava o rosto e segue a vida.  

JC – Bauru...

Rubens – Sou totalmente apaixonado por Bauru, pelas coisas de Bauru, pelas pessoas de Bauru. Não nasci aqui, mas me sinto bauruense.

JC – Quem é o Rubens?

Rubens – Sou uma pessoa objetiva, feliz e sinto-me realizado pessoalmente e profissionalmente. Gosto de fazer tudo o que faço bem feito. Sou muito grato à profissão porque ela me ensinou muito e me deu tudo o que eu tenho.


Perfil

Nome: Rubens Salvador de Oliveira

Idade: 58 anos

Local de Nascimento: Itaju/SP

Signo: Libra

Esposa: Denise Lambertini

Filhos: Joana

Hobby: Jogar tênis

Livro de cabeceira: A Bíblia

Filme preferido: Filmes de aventura

Estilo musical predileto: MPB

Time: Santos e Noroeste

Para quem dá nota 10: Para as pessoas íntegras e honestas

Para quem dá nota 0: Aos políticos desonestos

E-mail: www.facebook.com/rubens.cabeloepele

 

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