Tribuna do Leitor

Aponte-me a falta de criatividade


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Senhora Ducineia Cosmo, sei que é triste perder uma disputa no quesito desempate, mas daí a desrespeitar o trabalho de quem a senhora não conhece é lamentável. Aponte-me o que não foi criativo no samba enredo do bloco Pé de Varsa, se puder? O samba foi desenvolvido em cima das obras por ele compostas e cantadas. Nosso samba foi desenvolvido com coerência à nossa sinopse. Na nossa versão irreverente à sua letra original, fizemos com que o Arnesto nos convidasse pra a maior festa popular (Samba do Arnesto).

No trem das onze embarcamos na folia (Trem das Onze) e cantamos em verso e prosa Adoniram Bar-bosa. Adeus, minha escola do samba, eu vou pra nunca mais vorta (Adeus Escola). Com a corda mi do meu cavaquinho (Prova de Carinho). Um tiro ao Álvaro pra tristeza ter um fim (Tiro ao Álvaro). Meu coração meu tamborim, no gingado da cabrocha a sambar (Letra de samba). A bateria e de arrepiar (Homenagem às notas atribuídas no carnaval passado a nossa bateria). Meu galo e a lâmpida e as bahianas são as mariposas que roda roda na avenida a festejar com Pé de Varsa a Desfilar (As Mariposas).

Não tem nada não seu doto (Despejo na favela). Vou contruir minha maloca (Saudosa Maloca). Dentro do meu barracão (homenagem aos operários do samba que trabalham em nosso barracão). Meu carnaval minha paixão (já está explícito o que quis retratar). E hoje nois bebe todas nos bares da Farcão, e pra esquecer nóis cantemos assim. Manda a cana prá lá, manda a breja prá cá... (Saudosa Maloca). Vou chorar por Iracema quando o carnaval passar (Iracema).

Acredito que esmiuçando e explicando a letra do samba levado para avenida, a senhora Ducineia Cosmo mude de opinião. E nunca mais desmereça o trabalho das pessoas ao dizer que não houve criatividade no enredo. Quando não conhecemos a essência das coisas, não podemos falar, ainda mais em público, o que não conhecemos.

Respeitar sempre acima de qualquer coisa poderia ser em qualquer quesito o desempate, neste caso por ventura foi o samba enredo (A parte que me toca), não venha usá-lo de justificativa por não ter ganhado o carnaval. A disputa tem que ser sadia e moral. Sem mais, autor do samba.

André Odria

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