Internacional

China investiga se escolas davam remédios a crianças sem consentimento

Folhapress
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O governo chinês determinou que todos os jardins de infância e escolas primárias do país sejam inspecionados para verificar se os alunos estão recebendo remédios antivirais sem o conhecimento dos pais.

A ordem foi dada depois que a prática foi descoberta em jardins de infância de três províncias do país. Os remédios eram dados para prevenir doenças e aumentar o comparecimento.

Em muitas escolas na China o preço da anuidade é baseado no número de dias que o aluno compareceu.

O primeiro caso foi descoberto no começo do mês na cidade de Xi'an, no leste, depois que um aluno contou ao pai que eram obrigados a tomar "uma pílula branca" diariamente. Em seguida outros surgiram em mais três províncias.

Quase 2 mil crianças receberam os medicamentos e alguns reclamaram de efeitos colaterais como tontura, dores de estômago e nas pernas, taquicardia e inchaço nas áreas genitais, de acordo com a agência oficial Xinhua.

Num jardim de infância da província de Hubei, região central do país, o diretor e seu vice foram presos ontem "por dar ilegalmente remédios antifebre a seus alunos", informou a Xinhua. Em outras províncias, ao menos outras quatro pessoas foram presas.

Remédios antivirais são amplamente usados em escolas da China, especialmente nesta época do ano, início de primavera, quando a variação de temperatura aumenta os casos de gripe.

Em Xi'an, pais revoltados protestaram na semana passada, acusando a escola de usar seus filhos como cobaias. Fotos dos protestos circularam no Weibo (Twitter chinês) por alguns dias, até serem apagadas pela censura.

Nos últimos dias a mídia estatal publicou vários artigos condenando a prática, por gerar uma "crise de confiança" em relação aos jardins de infância e pelos riscos à saúde das crianças.

O pai de um dos alunos contou ao jornal "Global Times" que várias crianças se queixaram de dores de estômago e suores noturnos.

Levados ao médico, seus exames de sangue e urina revelaram a ingestão dos remédios, com possíveis danos aos rins.

"Os professores disseram a meu filho que o comprimido era bom para ele, mas que deveria ser mantido em segredo", disse um dos pais, identificado como Zhang, à Xinhua. "Ele já tomava o remédio há três anos".

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