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PM é condenado a 36 anos de prisão por morte de juíza

Folhapress
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O tenente-coronel Cláudio Luiz Oliveira, ex-comandante do Batalhão de São Gonçalo da Polícia Militar, foi condenado, na madrugada desta sexta-feira (21), a 36 anos de prisão em regime fechado pela morte da da juíza Patrícia Acioli, de acordo com informações da rádio CBN Rio.

 

O julgamento começou na manhã desta quinta-feira (20) no Tribunal do Júri de Niterói, região metropolitana do Rio, e terminou na madrugada de hoje. Oliveira foi condenado por homicídio triplamente qualificado e por formação de quadrilha armada.

 

Patrícia Acioli era juíza titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo quando foi morta, em 11 de agosto de 2011, com 21 tiros, ao chegar em casa, em Niterói, município vizinho. A magistrada atuava em processos em que os réus eram policiais militares do Batalhão de São Gonçalo envolvidos em supostos autos de resistência (quando há mortes em confrontos com a polícia) forjados.

 

O inspetor da Polícia Civil, Fernando Resende, deu um testemunho considerado chave pela promotoria.

 

Ele contou que, quando fazia a escolta do policial militar Jefferson Miranda para uma audiência do caso, ouviu o PM comentar que havia voltado atrás na delação premiada porque o coronel Oliveira tinha "mandado um recado".

 

Miranda, já condenado pela morte da juíza, ainda teria dito que o benefício da delação premiada não valia a pena para ele, pois já respondia por vários outros crimes.

 

Outra testemunha de acusação, a advogada Ana Claudia Lourenço -que chegou a defender alguns policiais envolvidos no crime, mas virou testemunha de acusação- afirmou que Miranda "fez isso por ser um frouxo".

 

O inspetor Ricardo Henriques, que participou da investigação do caso e também é testemunha de acusação, falou da personalidade do coronel.

 

De acordo com Henriques, Oliveira era conhecido ainda quando capitão por sua ambição por todos os lucros de contravenções cometidas em sua área de atuação, o que lhe teria rendido o apelido "Tudão".

 

A defesa tentou desqualificar a suspeita afirmando que o coronel fechou várias casas de bingo e aprendeu inúmeras máquinas caça-níquel enquanto comandante.

 

Henriques também afirmou que o coronel Cláudio era temido e nutria "profundo ódio mortal pela juíza" desde que ela determinou a prisão de um major subordinado a ele. O major teria sido preso por ter forjado um auto de resistência.

 

A primeira testemunha de defesa é o ex-comandante da Polícia Militar Mário Sérgio Britto Duarte. Ele explicou que convidou Oliveira para ser comandante por ele já ter sido premiado por bravura e considerado uma vez "o melhor policial do ano".

 

A amizade entre os dois surgiu durante o curso de operações policiais especiais, em 1989, curso de formação do Bope. Oliveira comandava o 7º Batalhão de Polícia Militar (São Gonçalo) na época do crime.

 

Dos 11 PMs acusados de envolvimento no crime, seis já foram condenados. Apesar da sentença, no entanto, nenhum policial foi expulso da corporação até agora. De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio, não há previsão para o término do julgamento de Cláudio Oliveira.

 

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