A rádio AM teve sua primeira transmissão no Brasil na década de 20 pela emissora de Roquete Pinto - Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Época que estiveram no auge a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Super Rádio Tupi e Rádio Record que atingiram quase 100% do território nacional. Depois, inúmeras rádios surgiram, e na região de Bauru não foi diferente.
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Renan Casal |
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Gildo Sanches, 70 anos, começou a trabalhar no rádio em 1962, fazendo locução: amor à profissão |
Algumas rádios fecharam as portas assim que surgiram as transmissões FM, outras resistiram ao tempo e ainda funcionam. Programas de entrevistas com autoridades e artistas, com mensagens de autoajuda, de cunho social e principalmente aqueles que anunciam o nascimento, morte, casamento e aniversário dos moradores ainda conservam a audiência e o formato de antigamente.
Em São Manuel (69 quilômetros de Bauru) a Rádio Clube de São Manuel foi inaugurada em julho de 1939. Um programa que começou junto com a emissora, batizado de Sociais- programa que tudo informa- continua no ar embora o apresentador já não seja o mesmo. Muitos já sentaram na cadeira de locução, mas dona Nenê foi a que mais tempo ficou com a responsabilidade diária.
Na cidade de Lençóis Paulista, o radialista João Miguel Diegoli de 49 anos teve sua trajetória de vida marcada pelo rádio. Há 32 anos apresenta o mesmo programa, Bom Dia Sucesso e confessa que o segredo do sucesso é a atenção com que trata todos os ouvintes sem discriminação.
Além de divulgar mensagens de autoajuda , o programa tem músicas que nunca são esquecidas, como o espaço dedicado as canções do Roberto Carlos. A prestação de serviço e as músicas internacionais completam a grade de programação.
A Pirajuí Rádio Clube é uma referência, um marco histórico na cidade de mesmo nome. Com mais de 60 anos e muitos obstáculos vencidos, ela permanece no ar e o programa Clube Notícias é um dos que existe desde o início das transmissões. O foco das informações é a política local.
Em Santa Cruz do Rio Pardo, a Rádio Difusora AM mantém o programa Loteria Musical desde 1948, com o mesmo apresentador, José Eduardo Catalano que começou a usar o microfone aos 13 anos. Hoje com 80, ele tenta registrar o recorde.
Uma escola de espontaneidade
Dona Nenê experimentou o sabor do microfone e marcou época. Sua espontaneidade saltava aos olhos, conta Thiago Melego. “Ela falava ao microfone de uma forma semelhante à que usava para conversar. Tinha o microfone da esperança usado pela população carente para pedir vários tipos de auxílio.”
Quando a pessoa pedia algo, ela entrevistava. “Ela queria saber o motivo do pedido, por exemplo; a pessoa pedia um fogão, alimentos e roupa. Ela perguntava se a pessoa trabalhava. Se a resposta fosse não, ela dizia: não está na hora de começar?”.
Este horário do microfone da esperança não existe mais. “Intensificamos a participação da população de outra forma. Queremos saber qual é o problema que ela tem no seu bairro, na sua rua, no caminho do trabalho.”
Atual apresentador atuou como auxiliar de dona Nenê
Thiago Melego tem 23 anos e foi operador de som na época da dona Nenê. “Em 2009 comecei a ajudar no programa. Ela já tinha bastante idade e algumas dificuldades. Fazia a produção. Ela não gostava que mexessem nas coisas dela, mas eu, ela permitia. Ganhei a confiança e aprendi muito com ela. Ela apresentou o programa até 2010 já com 90 anos. Não gostava do nome e dizia que se chamava Nenê. Quando morreu`, na nota fúnebre veio Nenê e sem a data de nascimento, outro item que ela não divulgava.”
A morte de dona Nenê deixou vago o cargo de apresentador que foi assumido por Melego. “Foi uma responsabilidade muito grande, ela era uma pessoa tradicionalíssima.”
Atualmente o programa começa às 11h e prossegue até as 13h. “Está focado no noticiário. Mantemos as notas sociais, missas, falecimentos, aniversariante do dia, santo do dia e mensagens. Temos entrevistas e informações sobre a cidade. Trabalhamos muito com a prestação de serviços.”
