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Oficial de Justiça comunica os acampados sobre reintegração de posse e a polícia poderá intervir

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Dois oficiais de Justiça, acompanhados por duas viaturas da Polícia Militar (PM), estiveram ontem, por volta das 14h30, na fazenda Santo Antônio, de propriedade do grupo Mondelli, que foi ocupada na noite da última sexta-feira por acampados que se intitulam como sem-terra do acampamento do Horto Aimorés. No local, os oficiais conversaram com os integrantes do movimento comunicando sobre o deferimento da liminar que prevê a reintegração de posse da fazenda.

Quioshi Goto

Acampados pediram um dia para decidir se desocuparão o local; ocupação começou na sexta

Na ocasião, segundo explica o oficial de Justiça Sérgio Vieira, os acampados pediram um prazo até as 12h de hoje para decidir se desocuparão o local espontaneamente. Caso isso não ocorra, a ordem judicial deverá ser cumprida com o uso de força e por meio da intervenção da Polícia Militar.

“Aparentemente tudo será resolvido de forma tranquila e amigável, essa foi a impressão que tivemos. Apenas os comunicamos que a liminar foi deferida e que haverá a reintegração. Eles ficaram de nos dar uma resposta até amanhã (hoje)”, pontua Vieira, que acompanhava a oficial de Justiça responsável pelo caso, Maria Lúcia Artioli.

Caso não haja acordo e os acampados resolvam permanecer no local, a data e o horário para o cumprimento da reintegração, segundo o oficial, dependerá da disponibilidade da PM.

A fazenda Santo Antônio possui mais de 900 alqueires e fica no quilômetro 355 da rodovia Bauru-Iacanga, em Bauru.

A gestão do frigorífico, assim como de algumas posses do grupo Mondelli, como a fazenda em questão, está atualmente sob os cuidados da Justiça por meio de interventores legais nomeados.

Conforme o JC mostrou na edição de ontem, o advogado da gestora judicial do Mondelli, Thiago Munaro Garcia, informou que, em virtude de boatos sobre a suposta invasão, a gestora já havia obtido uma liminar de interdito proibitório, na semana passada. Entretanto, como não houve invasão na ocasião, a liminar perdeu o objeto.

No entanto, uma nova liminar sobre a reintegração foi deferida, no último sábado, pelo plantão da Justiça na cidade.

Acampados

A reportagem do JC esteve na fazenda ontem pela manhã e o clima entre os acampados era de tranquilidade e de expectativa. Segundo a coordenação do movimento, 1.200 famílias, movidas pelo desejo da reforma agrária, estavam acampadas no local ontem.

“Estamos esperando para ver se realmente haverá essa tal reintegração. Se isso acontecer, faremos uma assembleia para tomar decisões se ficamos ou saímos. Se tivermos que sair, voltaremos ainda mais fortes e ocuparemos outras terras”, projeta um dos coordenadores do movimento, que se identificou apenas como Toni.

“Se ficarmos com essa área montaremos aqui uma escola agrícola. Estamos lutando por todo pedaço de terra que está irregular no Estado. A dívida dessa da fazenda com a União é imensa. O Horto Aimorés era uma fazenda que ocupamos e depois conseguimos o direito de morar, agora queremos que o mesmo ocorra aqui”, afirma o acampado.

 

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