Articulistas

Crítica ao Ciência sem Fronteiras

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Por conta da atividade acadêmica, tenho a oportunidade de conversar com diversos alunos. E eis que ao bater papo com um amigo, ótimo aluno do 4º ano de Engenharia Mecânica da Unesp Bauru, notas altas, inglês fluente, com projeto de iniciação científica, fico sabendo que sua entrada no programa Ciência sem Fronteiras, que objetiva enviar estudantes brasileiros para um período de estudo em universidades estrangeiras a fim de trazerem bagagem intelectual ao nosso país, foi barrada porque o garoto não tinha a nota do Enem, sendo esta uma condição básica para admitir estudantes.

Pior ainda foi saber que no teste de proficiência em inglês, que exigia a nota mínima de 79, ele obteve 95, sendo, claro, tranquilamente aprovado, mas impossibilitado de ir além exclusivamente porque não se utilizou do Enem para adentrar a universidade. Ora, como pode um ótimo estudante, com verve de pesquisador acurada e que atende aos principais requisitos para a eficácia do programa, ficar de fora simplesmente porque não necessitou utilizar o Enem?

Então, para os coordenadores, o que conta não é a capacidade, mas o fato de o indivíduo ter ou não ter feito o Enem? Quer dizer que os melhores poderão ficar de fora porque lhes faltou o Enem? Coisas deste naipe apenas provam que o maior cancro de nosso país não é a corrupção, mas a má administração dos programas e projetos feitos e tocados por políticos que, não raro, pouco ou nada sabem do que coordenam. Parece-me que a incompetência no momento de gerenciar projetos e planejar é uma tônica da classe política. Aliás, para corroborar o que digo temos um exemplo desta incompetência aqui, bem próxima a nós, no caso do famoso viaduto inacabado de nossa Bauru, que demonstra a falta de habilidade administrativa dos que lideram a cidade.

Citei apenas dois exemplos que demonstram como estamos na contramão da boa administração. O critério equivocado de avaliação do programa Ciência sem Fronteiras é um, o viaduto inacabado é outro, mas poderia aqui citar dezenas de casos. Qual a solução? Simples. Colocar gente competente para trabalhar, com conhecimento técnico e habilidade administrativa e sem preocupações políticas, pressões de partidos e interesses escusos. Aí a coisa pode andar a contento e nosso dinheiro render em serviços de qualidade. Caso contrário, continuaremos assim... Aliás, o que importa? A Copa do Mundo está aí mesmo. Rumo ao hexa...

O autor é colaborador de Opinião

Comentários

Comentários