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Equipe econômica e suas contradições

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

A agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P) rebaixou a nota de risco brasileira, caindo de uma classificação BBB para BBB(-). Isso em linguagem simples é o mesmo que dizer que a agência alerta aos investidores internacionais que o Brasil apresenta atualmente maior risco de calote do que tempos atrás. A nota é também uma balizadora aos investidores institucionais, como alguns fundos de pensão, cujos regulamentos exigem aplicações em países com notas de risco mais elevadas, portanto, o rebaixamento brasileiro pode diminuiu o fluxo de entrada de moeda estrangeira, elevando o fluxo de saída.

Evidentemente que o governo brasileiro reagiu negativamente à nota. O ministro Guido Mantega colocou: "Inconsistente com as condições da economia brasileira" e "contraditória com a solidez e os fundamentos do Brasil". Neste ponto é que vem a contradição do comandante da equipe econômica brasileira. Isso se justifica quando a mesma agência elevou a nota brasileira.

O próprio ministro Mandega disse à época: "É um reconhecimento de que a política econômica encontra-se na direção correta, e de que são sólidos os fundamentos macroeconômicos do país". E disse ainda: "O anúncio da agência de rating evidencia o sucesso da gestão da economia brasileira em seu objetivo de fortalecer o país". Não dá para entender. Afinal a agência é confiável ou não é confiável? Ou somente serve quando é favorável ao governo? Na prática o comportamento do ministro da Fazenda, Mantega, só reforça o descrédito que ele próprio goza no mercado e o quanto a equipe econômica vive distanciada da realidade. Pessoalmente, tenho restrições quanto à forma de avaliação do risco de um país. Analisam números frios e não convivem no mundo real, onde efetivamente a coisa acontece. E neste país desconhecido das agências de avaliação de risco há empresas, empresários, operários e milhões de profissionais que fazem a coisa acontecer, com maior ou menor risco. Focalizam seus negócios e querem somente condições mínimas para gerar riqueza. Uma nota de rebaixamento ou uma observação na direção errada pode levar o mais simples trabalhador, que não tem nada com este mundo monetário, a perder seu emprego. É no mínimo leviano. Mas é assim que o mercado se comporta, infelizmente.

Mesmo com estas restrições, a prática de aceitar críticas somente quando interessa ao agente público é muito cansativa. Muitos políticos transformam promessas em desculpas, se ocupam do poder como se fossem eternos nos cargos, se esquecendo que estão na posição que estão por delegação da população ou por indicação daqueles que o eleitor colocou ali. Precisam saber que não se pertencem. No caso específico de quem ocupa cargos na equipe econômica e ainda mais no topo da hierarquia como é o caso de Mantega, qualquer deslize não tem perdão. E de contradição em contradição o mercado fica tenso, aguça o senso crítico em relação à forma de conduzir a economia nacional, e, o que é pior para o atual governo, oferece munição a oposição, fragilizando a presidente Dilma no debate eleitoral.

O autor é economista e articulista do JC

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