Antes de ser Pablito ele era Claudemir Aparecido Pires de Souza. Ela já era Nilza Coqueiro Pires de Souza. Dois adolescentes de Ibitinga que, como em muitas cidades do Interior, se conheceram em um dos pontos de encontro dos jovens e começaram a namorar. Na época, nenhum dos dois poderia imaginar que a dança mudaria suas vidas. A especialidade do casal é tango, estilo no qual acumulam premiações nacionais e internacionais, mas têm especialidade em diversos tipos de dança de salão como samba, bolero, forró, salsa, merengue, mambo e chá-chá-chá.
A então namorada foi responsável pela incursão de Pablito, nome artístico registrado na Argentina, na dança. “Depois de um tempo de namoro, a Nilza começou a fazer aula de balé, de dança. Eu não dançava nada”, recorda. Após 16 anos de relação, Nilza já era professora de dança de salão e não havia convencido Pablito a dançar. “Ela tinha um sonho de dançar comigo e eu nunca tinha interesse. Meu negócio era futebol”, brinca o dançarino.
Porém, a mudança de atitude veio com um rompimento do casal. “A gente teve uma briga e ficou separado dois meses”, relata Pablito. O plano para reatar a relação foi matricular-se na aula de dança de salão de Nilza. “Eu não tinha interesse na dança. Meu interesse era reconquistá-la.”
O plano foi bem sucedido. Mas as aulas fizeram mais do que reunir o casal. A reconciliação veio com o clássico tango “Por Una Cabeza”, de Carlos Gardel, imortalizado, entre outras, pela performance do ator Al Pacino, que interpreta um cego e dança o tango no filme “Perfume de Mulher”, de 1992. Atuação que valeu o Oscar a Al Pacino. “Aquilo me tocou algo diferente. Eu me interessei pelo tango e ela propôs montar uma coreografia.”
Desde então, o casal não parou mais. Foram coreografias atrás de coreografias e exibições sucedendo exibições. O que era um sonho tornou-se tão real que Pablito e Nilza partiram para se especializar na “arte argentina” durante três anos. “Estudamos na Escola Argentina de Tango, em Buenos Aires”, relata Pablito.
Prêmios
O que era diversão, tornou-se a profissão de Pablito e Nilza. Hoje, o casal vive da dança. Pablito integra a diretoria do Sindicato dos Profissionais de Dança do Estado de São Paulo. Além disso, ensina dança diariamente no Centro do Professorado Paulista (CPP) há dez anos. Ainda no CPP, o casal ensaia para as apresentações. “Fazemos shows em São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre, além de toda a região. E a gente se apresenta sempre no Teatro Municipal de Bauru. Temos um bom público que já é fã de nosso trabalho.”
Além disso, o casal participa anualmente, há seis edições, do Mundial de Tango, no mês de agosto, em Buenos Aires. “É uma Copa do Mundo do Tango. No ano passado, foram 1.500 casais. A gente se classificou no 120º lugar”, destaca o bailarino. Pablito e Nilza ainda conquistaram, em 2008, o primeiro lugar no Festival de Tango de La Falda, em Córdoba, um dos mais prestigiados da Argentina. “É uma espécie de Libertadores.”
Os próximos compromissos internacionais de Pablito e Nilza são o Mundial de Tango, em agosto, e o “Solo Tango”, evento que será realizado em Montevidéu, em novembro.
Rigor
Pablito e Nilza são responsáveis por todos os aspectos de suas apresentações, desde a elaboração da coreografia até a concepção de figurinos e maquiagem. Para isso, o casal tem critérios rigorosos. “Os figurinos que a gente usa, no começo, eram confeccionados aqui no Brasil. Ainda não tínhamos boas condições financeiras. Hoje, todos os figurinos, sapatos e maquiagem são comprados na Argentina”, relata Pablito.
De acordo com o bailarino, a qualidade do material faz enorme diferença na performance do casal. “O terno de tango é diferente de um terno de passeio, ele é próprio para bailar tango. O vestido tangueiro e os sapatos também. Todos são próprios para tango”, ressalta. Pablito explica que uma maquiagem apropriada para o tango também é fator fundamental na apresentação. “Uma boa maquiagem, um bom figurino que combinem com o tema musical, com a concepção coreográfica, os movimentos”