Em decisão que beneficia o governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) apresentou nesta terça-feira (8) parecer que determina a instalação de CPI ampla da Petrobras no Senado, com poderes para investigar o cartel do metrô em SP e atividades do Porto de Suape (PE), que atingem o PSDB e o PSB.
Em resposta à tese governista, a oposição entrou com mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) para que a CPI investigue exclusivamente a Petrobras.
Na ação entregue ao STF, PSDB, DEM e PPS dizem que a inclusão de temas que não têm relação com o pedido da CPI não podem ser aceitos.
A tática faz parte da manobra governista de tentar adiar indefinidamente a instalação de qualquer CPI no Congresso neste ano eleitoral.
Jucá apresentou seu parecer na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que adiou a decisão para amanhã. O relator disse ser "legítimo" ampliar o foco de investigações porque os dois temas (cartel e Suape) envolvem gastos irregulares de dinheiro público.
Há dois pedidos de instalação da CPI da Petrobras no Senado, um feito pela oposição e outro por aliados do Palácio do Planalto. PSDB e DEM querem investigar só a Petrobras, enquanto os governistas defendem a CPI ampla, pois os temas incluídos atingem prováveis adversários da presidente Dilma: o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE).
Se a CCJ e o plenário do Senado seguirem a posição de Jucá, a CPI ampliada da Petrobras será instalada no Senado. A comissão adiou a decisão sobre a CPI depois que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) alegou que a votação não poderia ocorrer simultaneamente ao trabalho do plenário --que, minutos antes, havia iniciado sua sessão.
O relator sugeriu retirar das investigações da CPI o superfaturamento de convênios e contratos na aquisição de equipamentos e projetos na área de tecnologia da informação, tema também incluído pelo governo para ser investigado pela comissão.
Nesta terça-feira (8), dentro da estratégia do governo de evitar a CPI, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli se reuniu com a bancada do PT na Câmara para dar argumentos contra a investigação.
Gabrielli disse que a compra da refinaria de Pasadena (EUA), que a oposição quer investigar, foi um "bom negócio" em 2006, virou um "mau negócio" entre 2009 e 2011, mas atualmente voltou a ser um "bom negócio".