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Avô postiço é acusado de abuso

Por Marcus Liborio | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 4 min

Marchando e com sorriso no rosto. Essa era a cena protagonizada por uma menina de 9 anos de idade em frente à Central de Polícia Judiciária (CPJ) ontem à tarde, enquanto o delegado registrava uma denúncia de abuso sexual. A vítima: a própria criança que brincava de ser soldado. A inocência contrastava com a gravidade da história.

Ela teria sido molestada pelo padrasto da mãe, um homem, de 47 anos, na tarde do último domingo. Os abusos teriam ocorrido na casa dele, localizada na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, na altura da Vila Dutra.

O homem (o  nome foi preservado para não ser possível a identificação das supostas vítimas) teria colocado os dedos no órgão genital da criança. Questionado pelo JC, o acusado alegou que tudo não passou de um acidente (leia abaixo).

Não é o que a menina alega. Essa seria a terceira vez que a garota sofre abuso em menos de um mês, segundo contou a criança para a mãe. Ao ouvir os relatos da filha, a mulher também alegou ter sido vítima do padrasto quando tinha apenas 7 anos de idade.

“Fui abusada três vezes. Na época, minha família não acreditou em mim e não prestaram queixa. Só minha avó me apoiou”, lembra a enteada, de 30 anos.

Ela diz que não esperava que o padrasto fosse capaz de repetir o ato. Para a mulher, ele teria “tomado jeito” durante o tempo que ficou separado da mãe dela. “Geralmente, eu não tinha com quem deixar minha filha quando tinha compromisso, a não ser com a minha mãe. Sem contar que ele nem parava em casa por conta do trabalho”, explica.

Fim de semana

A menina costuma passar os fins de semana na casa do acusado. No domingo, o homem teria ficado sozinho com a criança. “Quando fiquei sabendo que ele não trabalhou e os dois ficaram sozinhos na casa, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que ela seria abusada assim como fui há 23 anos”.  

Com base no depoimento da mãe da criança e do acusado, o delegado plantonista Mário Henrique Ramos registrou o caso como estupro de vulnerável. “Já requisitei ao juiz o pedido de prisão preventiva dele”, disse. A prisão foi acatada  na noite de ontem e o acusado foi conduzido para a Cadeia Pública de Barra Bonita.

A vítima foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) e submetida a exames. “O resultado do exame apontou arranhões e vermelhidão na vagina. O laudo final, contudo, deve ficar pronto em breve”, finaliza Ramos.

 

  • Serviço 

Caso você seja vítima de abuso ou conheça algum caso, a denúncia pode ser feita no disque-denúncia no 100 ou 181; ou na Polícia Militar por meio do 190. 


‘Foi um acidente’, disse homem acusado

Com a cabeça baixa e mãos algemadas, o acusado aguardava na CPJ. Questionado pela reportagem, ele declarou: “foi um acidente. Fui tentar evitar que ela se machucasse”.

De acordo com sua versão, ele assistia televisão na sala e a menina brincava em cima de um sofá, próximo à janela. Em certo momento, ela teria se desequilibrado e, para evitar a queda brusca, tentou segurá-la.

“Ela iria cair e, então, estiquei os braços para pegá-la. Acabei machucando ela.  Nessas horas, a gente nem vê onde põe a mão. Foi acidente. Sou trabalhador. Trabalho desde os 10 anos de idade”, defende-se.


Sebes trata de 40 crianças vítimas de abuso sexual

Segundo a titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo, só neste ano, já são 40 crianças vítimas de abuso que recebem acompanhamento psicológico do órgão. “Neste mês já temos cinco crianças para receber auxílio”, complementa.

De acordo com a secretária, o trabalho em torno da reabilitação da vítima é extenso e requer cuidados pontuais. “É uma política que consiste em atender uma pessoa desorientada. Temos que ouvir a criança para tentar trabalhar na redução de danos psicológicos, além de promover dinâmicas familiares para inserção desta criança ou adolescente na sociedade”, ressalta.

Em alguns casos, Tendolo complementa que a criança é mandada para abrigos junto da mãe.


Desde março

Os abusos, de acordo com a mãe da menina, vinham ocorrendo desde março. “Ela me contou que ele abusou dela duas vezes no mês passado”.

Ontem, a criança acabou relatando como teria sido molestada após ser questionada pela mãe. “Ela começou a chorar e falou como foi. Imediatamente, conversei com minha mãe e acionei a Polícia Militar (PM) para denunciá-lo. Não vou deixá-lo impune mais uma vez. Quero Justiça e que ele permaneça preso”, desabafou.

Segundo a mãe da criança de um mês para cá, a filha se mostrava inquieta e agressiva. “Percebi que ela estava agressiva. Ela não é assim. É uma menina educada, doce e adora brincar”, relembrou.

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