Muito se fala dos baixos índices de leitores no Brasil. Pouco se trata das causas. Até a vinda da família real portuguesa para o Brasil, a imprensa era proibida pela coroa. Não é, pois, de se estranhar que a alfabetização não fosse incentivada. Países vizinhos já possuíam universidades com grandes bibliotecas e profusão de livros editados. Em preparação ao II Congresso Brasileiro de Alfabetização, debrucei-me sobre tabelas e estudos sobre a questão. Em 1958, Paulo Freire apresentara as bases do sistema de Alfabetização de Adultos, no I Congresso Nacional de Educação de Adultos realizado no Rio de Janeiros de 9 a 16 de julho de 1958.
O Movimento de Cultura Popular (MCP) se iniciara a 13 de maio de 1960. Em Natal é lançada a Campanha "de pé no chão também se aprende a ler" em fevereiro de 1961. A CNBB e o Governo Federal inauguram o Movimento de Educação de Base (MEB) em 21 de março de 1961. Durante o "Experimento de Angicos", lançado em fevereiro de 1963, o presidente João Goulart se faz presente na aula do dia 2 de abril de 1963. Em 21 de janeiro de 1964, pelo Decreto nº 53.465, o Programa Nacional de Alfabetização é instituído com a meta de alfabetizar 1 milhão e 800 mil pessoas no ano de 64.
Diante de uma grande multidão reunida na Central do Brasil (RJ), João Goulart pronuncia o grande discurso de lançamento das Reformas de Base no dia 13 de março. Pelas ondas de rádio, ouvi o entusiasmo com que era interrompido com aplausos. A grande imprensa, com exceção do jornal "Última Hora", já vinha desaprovando o governo Goulart divulgando inverdades e pressionando por sua deposição. Após esse discurso, clamou por um golpe militar.
O Ibope fez uma pesquisa no Estado de São Paulo sobre a aceitação das Reformas de Base anunciadas pelo presidente; uma outra foi realizada em âmbito nacional. Ambas chegaram ao cômputo de 79% de aprovação. Os dados foram sonegados. A despeito da grande aprovação, a grande imprensa intensificou o clamor por um golpe contra o presidente.
João Goulart encontrava-se no Rio Grande do Sul quando Auro Moura Andrade proclamou a vacância da Presidência da República. Foi-lhe informado o equívoco e sugerido que se telefonasse para o presidente, mas imediatamente deu-se posse a Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara. Após o golpe, antes mesmo da posse de Castelo Branco, no dia 14 de abril, há exatos 50 anos, Raineri Mazzilli, proíbe o Programa Nacional de Alfabetização pela portaria 237. Paulo Freire foi um dos primeiros presos políticos. A ditadura impediu a alfabetização. A maioria de não-alfabetizados/as era mulheres.
A autora é professora