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#EstamosTodosAtrasados

Fábio Galazzo
| Tempo de leitura: 3 min

No último dia 27, o jogador brasileiro Daniel Alves, do Barcelona, foi vítima de racismo na partida contra o Villareal pelo campeonato espanhol. Enquanto se preparava para cobrar o escanteio, foi atirada por um membro da torcida uma banana no jogador, que numa reação inusitada comeu a fruta e, logo em seguida, continuou o jogo normalmente.

O ato teve apoio no mundo todo entre atletas e outras celebridades. O astro da seleção brasileira Neymar postou uma foto na qual aparece com uma banana em apoio ao compatriota e sentenciou: #SomosTodosMacacos.

A iniciativa virou febre e milhares de pessoas repetiram o gesto nas redes sociais. A partir daí a controvérsia que era entre racistas e pessoas não-atrasadas tomou um novo viés. Muita gente aqui no Brasil não gostou da reação de Daniel Alves, e muito menos das inúmeras fotos e mensagens de pessoas com bananas que pipocaram na internet. Para alguns o assunto é sério demais para ser combatido com ironia e deve ser tratado com dureza. Cá estamos nós agora divididos entre os que acham que somos todos macacos, e os que acreditam que somos todos bananas, e com isso, perde-se o foco do debate. O principal obstáculo no que tange à melhor maneira de lidar com o racismo é a dificuldade de se resolver um problema que não faz qualquer sentido lógico. Se perguntarmos, por exemplo, a um cidadão o porque ele é racista, provavelmente ele não saberá responder. A ironia é uma arma, sem dúvida, mas somente ela não resolve, aliás fica a dúvida se uma pessoa estúpida o suficiente para ser racista, teria a capacidade de compreendê-la. Por sua vez, nem mesmo as legislações relativamente rigorosas como a nossa dão conta do recado, vale lembrar que o racismo no Brasil é crime inafiançável e mesmo assim não foi erradicado. Pune-se a manifestação racista, mas o racismo em sí não deixa de existir, e são coisas diferentes. O torcedor que atirou a banana, foi identificado pelo clube e banido do estádio. Mas por isso ele deixará de ser racista? Acredito que não. Não há medida judicial que possa coibir um olhar discriminatório em um evento social, o tratamento inferior, o desdém velado, tampouco a escolha de um funcionário branco menos qualificado em detrimento de um negro, situação em que pesa unicamente o arbítrio do patrão.

Discriminar os discriminadores, parece justificável, poucas ferramentas sociais tem a eficiência da vergonha, porém é contraditório e pode ainda agravar o problema. A melhoria na educação, é sempre um fator a ser observado, mas infelizmente o racismo não é exclusivo dos não-letrados, muito pelo contrário. Fato é, que desde que o mundo é mundo as pessoas se discriminam seja pela cor da pele, pela religião, opção sexual, classe social, e por aí vai, até mesmo em grupos teoricamente homogêneos existe discriminação mesmo sem existir um motivo minimamente plausível para justificar a superioridade de um ser humano sobre o outro. O que causa espanto e diminui a esperança é o fato de ainda em 2014 estarmos discutindo e combatendo esse tipo de postura, que demonstra o quão atrasados socialmente e intelectualmente nós estamos. Todos nós. Se #SomosTodosMacacos ou não, não se sabe. Mas que não sabemos lidar com o problema e que há tempos estamos andando em círculos sem nenhuma efetividade, isso certamente.

O autor é colaborador de Opinião

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