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?Gigante congelado?: revitalização é esperada há 27 anos

Por Nélson Gonçalves | Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Hecmet Farha Júnior acumula tanta informação sobre o esqueleto do original projeto do shopping Maksoud que parece integrar o empreendimento.

Ele tem um restaurante de comida árabe na rua Araújo Leite, na lateral da obra. “Isso aqui começou em 1985, quando eu abri minha firma nesta região, onde sempre morei. A paralisação das obras logo em seguida frustrou quem apostou aqui nessa região central, mas também mudou o roteiro de investimento da cidade naquela época para muitas pessoas. Todo dia, no início da obra, eu recebia alguém querendo comprar meu estabelecimento”, conta.

Em sua opinião, a obra gerou vetor de crescimento para a região próxima da avenida Duque de Caxias. “Mas esse boom programado com a obra acabou logo e isso estragou essa região. Tomara que esse investimento seja efetivado. Quando a cidade discutiu a necessidade de um novo Fórum, há alguns anos, eu sempre defendi que o novo prédio fosse aqui. Onde vai achar bem localizado um prédio desse porte, de um quarteirão e com 1.600 vagas de garagem? Às vezes, o setor público procura soluções fora da realidade, quando investir aqui teria dupla função positiva, de resolver o problema de revitalizar essa região e de gerar um novo Fórum em área muito bem localizada”, argumenta Farha Júnior.

Mas, seja qual for a destinação, ele sentencia: “O importante é dar um destino a isso. Qualquer empreendimento é muito melhor que um enorme buraco”, opina.

O comerciante Jorge Quatrina também apostou no negócio. Ele trabalha com floricultura na quadra 10 da rua Manoel Bento Cruz, que cruza a parte de cima do quadrilátero. “A esperança de crescer essa região e mudar sua cara  morreu com a paralisação dessa obra. Foi muito triste. Reocupar e resolver isso daria nova cara para essa região e nunca é tarde no mundo dos negócios”, avalia.

Quatrina dá um pitaco para o endereço: “São Carlos, bem menor que aqui, tem Shopping Iguatemi, e nós não temos. Com essa estrutura e a localização, quem disse que Bauru não comporta um terceiro shopping?”.

Nas proximidades e também vizinho à obra paralisada, o comerciante do ramo de tecidos Danilo César Sotolani concorda com a máxima de que tijolo bom é tijolo em obra concluída. “O negócio pronto certamente valoriza o entorno e gera potencialização do negócio por aqui. Finalizada, uma obra desse porte vai afetar o mercado de aluguel por aqui, mas, por outro lado, muda o foco de atração de clientes. É o mercado”, posiciona.

Sotolani está na região há nove anos. Enquanto ele comenta sobre a vertente da obra paralisada, o funcionário Jean Carlos, há apenas sete meses no trabalho, desenrola o tecido para corte observando os pilares inacabados do vizinho. “A gente se acostuma com isso tudo parado. Mas, se parar pra pensar, isso é enorme mesmo”, pontua. 


O projeto original

O projeto inacabado do empreendimento Maksoud, na região central de Bauru, contempla, na origem, um shopping e, agregados em terrenos laterais, um hotel pela rua Manoel Bento Cruz e um edifício comercial pela rua Capitão João Antonio. 

A estrutura edificada avança em quatro pavimentos no subsolo, com capacidade para 1.600 vagas.

Além disso, outros três andares estavam previstos para serem erguidos no futuro shopping.

Tripé

O hotel viria a formar o tripé do empreendimento, com outros 10 andares do edifício comercial, conta o comerciante Hecmet Farha Júnior, que acompanha o caso desde a origem, como vizinho, em 1985.

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