Internacional

Celebridades exigem atitude dos EUA contra lei islâmica em Brunei

Folhapress
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Jonathan Alcorn/Reuters

 O apresentador de televisão Jay Leno compareceu ao protesto em fente ao hotel Beverly Hills, propriedade do sultão Hassan al Bolkiah

A campanha de celebridades contra Brunei (país no sudeste asiático) por instaurar a lei islâmica (sharia) ganhou força depois que ativistas e personalidades do mundo do entretenimento pediram que o governo norte-americano rompa relações com o sultanato.

Nesta terça-feira (6), em frente ao hotel Beverly Hills - propriedade do sultão Hassan al Bolkiah -, o apresentador de televisão Jay Leno e a atriz britânica Francis Fisher protestaram contra a entrada em vigor da sharia no minúsculo país situado na ilha de Bornéu, que mantém fortes laços comerciais com Washington.

"Em que ano estamos? Em 1841? Vamos, estamos em 2014!", exclamou Leno durante o ato, organizado por uma coalizão de grupos feministas, de direitos humanos e GLTBs. "Isso (que está acontecendo em Brunei) não está muito distante do que houve durante o Holocausto", garantiu o humorista.

"O demônio aparece quando as pessoas boas não fazem nada", afirmou Leno ao alertar sobre a mobilização contra o sultão, um dos homens mais ricos do mundo graças aos recursos petrolíferos de seu país.

SHARIA E SANÇÕES

O código penal islâmico, em vigor desde o último 1º de maio em Brunei, prevê a amputação de membros em caso de roubos, chicotadas por consumo de álcool ou tentativa de aborto e apedrejamento de homossexuais. Seu cumprimento é um "dever" para todos os muçulmanos, defendeu o sultão ao anunciar a aplicação da lei.

Fisher -ex-mulher de Clint Eastwood- foi um pouco mais além e fez um pedido ao governo de Barack Obama e aos membros do Congresso para impor sanções econômicas contra Brunei.

"É intolerável que o sultão embolse milhões e milhões de dólares com o TPP enquanto abusa de seu próprio povo de uma forma tão cruel", disse a atriz.

Brunei e os Estados Unidos fazem negócios amparados pelo Acordo de Associação Transpacífico (TPP), assim como o restante dos membros (Austrália, Canadá, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietnã).

A diretora da fundação Feminist Majority, Katherine Spillar, organizadora do protesto, também pediu a Washington e à ONU punições contra Brunei por "ir contra os direitos humanos".

GRUPO DORCHESTER

No sábado (2), o britânico Richard Branson, dono do grupo Virgin, postou no microblog Twitter que nenhum empregado da Virgin iria se hospedar na rede de hotéis Dorchester "até que o sultão cumpra os direitos humanos básicos".

Já a cruise.co.uk, uma das maiores agências de viagens on-line da Europa para cruzeiros, disse que não iria mais oferecer aos clientes a opção de ficar em hotéis Dorchester, em nenhum lugar do mundo.

Christopher Cowdray, diretor do grupo Dorchester , disse que aqueles que protestam estão ignorando outros hotéis pertencentes a países que desrespeitam os direitos humanos segundo a BBC.

"Há outras empresas hoteleiras na cidade que são de propriedade da Arábia Saudita (...) e sua camisa provavelmente vem de um país que tem problemas de direitos humanos", disse Cowdray, acrescentando que o boicote prejudicaria os funcionários do grupo.

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