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Blogueiro afirma ter sido coagido por Polícia do Senado

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O blogueiro Rodrigo Grassi, mais conhecido como Rodrigo Pilha, diz que foi coagido pela Polícia do Senado a apagar o vídeo em que o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) aparece xingando-o de "vagabundo" e o mandando ir à "puta que o pariu".

Nas imagens da câmera de segurança do Senado divulgadas nesta quarta-feira (7) pelo jornal Folha de S.Paulo, Rodrigo aparece com as mãos erguidas, segurando uma garrafa (2min09). O senador se aproxima de Grassi, mas se afasta logo em seguida. Nesse momento, o blogueiro lança a garrafa na direção do senador (2min15). A polícia só aparece nas imagens depois, quando ele corre.

Grassi publicou um vídeo na internet em que nega ter jogado uma garrafa plástica de água na direção do senador tucano, como mostram as imagens do circuito interno de vigilância do Senado.

No filme que gravou já em sua casa para rebater reportagem da Folha, Grassi diz ter soltado a garrafa que estava já em suas mãos, "até para sair correndo dos leões de chácara que já estavam atrás de mim".

O senador tucano afirma que o primeiro vídeo postado por Grassi foi editado. "Eu não tenho sangue de barata. O vídeo que está na internet foi editado. Ele me insultou. Me acusar de ligação com falcatrua é tão grave quanto se tivesse me chamado de filho da puta." "Agi em defesa do meu decoro", disse o tucano, que é cotado para ser vice do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na eleição presidencial.

Grassi diz que o vídeo foi postado na íntegra e que o senador foi o único truculento. "Não tive tempo algum para editar, pois tive de agir rápido antes que a polícia do Senado fizesse o crime que fez! Tentaram me coagir pra apagar o vídeo, não cedi, apreenderam o celular! Porém eu já havia mandado pro Facebook!" "Se mostrarem, com ou sem edição, ficará claro que o único descontrolado, truculento e agressivo foi o Senador", concluiu.

O vídeo publicado pelo blogueiro mostra que ele se aproxima de Aloysio perguntando sobre a importância de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Ainda calmo, o tucano diz que CPIs são importantes para "investigar problemas no âmbito do governo".

Grassi pergunta por que, então, o PSDB barrava investigações sobre as denúncias de cartel. "Existem investigações que são muito profundas em relação a essa história do Metrô na Procuradoria do Estado, na Corregedoria, no Ministério Público e na Justiça."

"Independente disso, e o suposto envolvimento do senhor?", continua Grassi. "Vá para a puta que te pariu", responde Aloysio.

Sobre ter atirado uma garrafa de água no senador, Grassi nega e afirma que voltou para o estacionamento para buscar os óculos quando encontrou com o tucano.

"Após fazer a imagem do vídeo, voltei pra buscar meu óculos que havia caído e me dirigi para a saída lateral do Senado. Já lá fora o senador ainda descontrolado queria partir pra cima de mim. Me afastei bem e falei assim: Se o senhor está bravo comigo porque fiz três perguntas, imagine o povo de São Paulo que está com racionamento de água! Leve esse pouco de água lá pra São Paulo porque estão precisando! E daí soltei uma pequena garrafa rolando no chão."

Grassi também reclama da truculência da polícia legislativa ao retirá-lo de dentro do ônibus e da tentativa de coação para apagar o vídeo de seu celular. "Houve apreensão do meu celular sem lacrá-lo para a perícia, fiquei sem saber qual era a acusação contra minha pessoa e, por fim, vi em minhas contas de e-mail que já havia recebido vários alertas do Google de que minhas contas haviam sido alvo de tentativas de troca de senha através do dispositivo."

"Vou adotar todas as medidas cabíveis contra os responsáveis pelo vazamento e pela Polícia do Senado! Ou seja a Polícia do Senado agiu criminosamente em relação ao meu celular! Desde a apreensão até à violação deste!", concluiu o blogueiro.

Grassi tem histórico em polêmicas. No mês passado, ele hostilizou o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, na saída de um bar, em Brasília.

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