Bairros

Semáforos de Bauru subiram de 21 para 183 em 20 anos

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

 

O semáforo tem por objetivo disciplinar o trânsito de veículos, dando condições aos motoristas de transpor um cruzamento com segurança em vias onde o fluxo de veículos é intenso, segundo a definição da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Em Bauru, há 183 cruzamentos com semáforos, segundo dados da Emdurb atualizados em 23 de abril de 2014. No início da década de 1990, apenas 21 esquinas contavam com o equipamento. 

 

Enquanto muitos motoristas não respeitam o sinal vermelho, outros tantos moradores pedem e esperam que sua rotina melhore com a instalação do sinaleiro, parada obrigatória que pode salvar vidas.

 

Instalação 

 

Para instalar um semáforo, a Emdurb segue as instruções do Manual de Semáforos do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em que são estabelecidos alguns critérios que justificam a implantação do equipamento semafórico. E entre tais critérios destacam-se os volumes veiculares mínimos, a interrupção de tráfego contínuo e a ocorrência de acidentes. 

 

Quanto ao critério “volumes veiculares mínimos”, a pesquisa de contagem de veículos é feita, em Bauru, por funcionários da Emdurb num período de 12 horas, sendo geralmente das 7h às 19h, segundo a autarquia. A partir daí são selecionadas as oito horas de maior fluxo e efetuada uma média, que deve ser maior do que 600 veículos/hora, na via principal, e acima de 200 veículos/hora na secundária, quando as duas vias possuírem duas faixas de rolamento ou mais, por exemplo.

 

Se o cruzamento apresentar resultado igual ou superior ao volume indicado, cabe a implantação de semáforo e o local entrará na programação semafórica da empresa municipal.

 

Alívio para uns e sonho para outros

 

Depois de 15 anos ele chegou. E foi uma maravilha para a vizinhança”. Quem exclama com ar de alívio é o funcionário público aposentado Arivaldo Barroso, ao lado do filho Levi Guarnetti Barroso, sobre o semáforo instalado em abril no cruzamento das ruas Carlos de Campos e Nilo Peçanha, na Vila Souto. 

 

De acordo com os moradores, os carros transitavam em alta velocidade na região, principalmente na rua Nilo Peçanha. “Isso acontecia muito à noite. Vimos muitos acidentes por aqui. Já vi gente quebrar as duas pernas em um deles. Sem contar que uma antiga residência que ficava na esquina da quadra 8 da rua Carlos de Campos era constantemente invadida por carros desgovernados”, aponta Levi. 

 

Contudo, Arivaldo lembra que o semáforo só veio depois de aproximadamente 15 anos de espera e de muitos pedidos realizados junto à Emdurb. “Naquela época, os acidentes já eram constantes. Os carros passavam por aqui a mais de 90 km/h, por isso decidi, com alguns vizinhos, entrar com pedido de sinalização na Emdurb. Agora veio, e já deu uma diferença espetacular”, aprova. 

 

'Agora sai'

 

Já no Jardim Bela Vista, quem comemora a colocação das estruturas para a instalação de semáforos no cruzamento das ruas Alto Acre e Padre Anchieta são as vizinhas Nilva Gonçalves e Cristiana Oliveira. 

 

Um dos locais mais movimentados do bairro, a esquina já foi cenário de muitos acidentes, inclusive com vítimas fatais, como conta a cuidadora Nilva: “Em abril, por exemplo, morreu um rapaz aqui. E eu já vi outro perder todos os dedos”. 

 

Para Cristiana, o problema da falta de sinalização é ainda maior para os pedestres. “A gente fica um tempão esperando para passar. Os carros vêm a mil e não querem saber se você está ou não na faixa”, reclama a microempresária. 

 

Além dos moradores, o vereador Fábio Manfrinato, que vive na região, também já havia solicitado a instalação de um semáforo na esquina das ruas. Segundo a Emdurb, o cruzamento das ruas Alto Acre com a Padre Nóbrega também será contemplado com sinaleiros. Para as moradoras entrevistadas pela reportagem, o cruzamento das vias Padre Anchieta e Silva Jardim é outro ponto crítico que merece atenção. 

 

‘Sem sinal’

 

Moradora do Jardim Ouro Verde, a doméstica Cleusa de Fátima da Luz trava uma luta diária para sair de casa com a filha cadeirante Rejane Andrea da Luz. Ela precisa atravessar a avenida Castelo Branco, na altura da quadra 38 da movimentada via, todos os dias quando sai para trabalhar e leva a filha com ela, além de também levar Rejane para os tratamentos que faz na Apae e na USC.  

 

“Recentemente, fizeram rampas e colocaram lombadas e faixas de pedestre, o que já ajudou bem. Entretanto, isso não é o ideal. Precisamos de um semáforo de botoeira, como o que tem na Sorri, por exemplo. Eu preciso empurrar a cadeira dela e atravessar rápido. Há carros que param e esperam. Mas nem todos respeitam”, desabafa.

 

 

Manifestação 

 

Em março deste ano, os moradores do Jardim Ouro Verde interditaram parcialmente a avenida Castelo Branco e reivindicaram a instalação de um redutor de velocidade no intuito de melhorar a segurança dos pedestres que, assim como Cleusa e Rejane, precisam atravessar a via na altura da quadra 38.

 

Na manifestação, eles atearam fogo em pedaços de pau, móveis e galhos de árvores e bloquearam um dos sentidos da avenida. Na ocasião, a vizinhança pediu a implantação de lombada, semáforo, passarela ou rotatória para diminuir os acidentes e atropelamentos, comuns no local.

 

De 21 para quase 200

 

Não se sabe ao certo quando e onde foi instalado o primeiro semáforo da cidade, porém, dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) apontam que, provavelmente, os cruzamentos da avenida Rodrigues Alves com as ruas Araújo Leite e Treze de Maio tenham sido os primeiros a ter o trânsito controlado pelo equipamento. O que se sabe é que, no início da década de 1990, 21 cruzamentos eram controlados por semáforos, número que saltou para 183 em abril de 2014. 

 

Compostos por lâmpadas incandescentes, os semáforos dos 131 primeiros cruzamentos do município foram trocados no ano passado por aparelhos de tecnologia LED mais avançada, da marca GTX, em uma parceria feita entre Prefeitura de Bauru e a CPFL. “Quando surgiu o LED, os fabricantes de semáforos começaram a disponibilizar os equipamentos com a tecnologia. O primeiro a ser instalado em Bauru foi o semáforo do cruzamento da Nações Unidas com a rua Padre Francisco Van Der Maas, em 2007”, enumera o diretor de trânsito e transporte da Emdurb, Ewerton Mussi Hunzincker. Hoje, a cidade conta com 100% dos semáforos com LED. 

 

‘Sonho possível’

 

O diretor da Emdurb lembra que não havia nenhum equipamento de controle nos primeiros semáforos do município - estes respondiam de maneira independente da abertura e fechamento do ciclo. Com o tempo, foram criados dispositivos controladores que permitem a programação do tempo de cada cor.

 

“Já temos essa tecnologia na cidade, o que também permite o trabalho com bateria no caso de queda de energia. Há a questão do módulo GPS em ruas como a Primeiro de Agosto, que sincroniza o equipamento. Nosso grande sonho, e estamos trabalhando para isso, é criar uma central de inteligência para os semáforos. Dessa forma, a equipe pode identificar problemas e solucioná-los da própria base. Entre as utilidades está a redução das panes em tempestades e/ou tempo para a sua solução”, projeta o diretor.  

 

 

Pioneira

 

Bauru foi a primeira cidade do Brasil a receber semáforos com tecnologia LED dessa qualidade, usada na Europa. É um LED especial com algumas vantagens, entre elas a economia de energia, já que consomem, em média, 90% a menos quando comparadas com as lâmpadas incandescentes usadas anteriormente. 

 

O aumento na segurança é outro fator vantajoso, pois este tem maior eficiência luminosa. Não apresentam “efeito fantasma”, ou seja, o efeito produzido pela incidência da luz solar no conjunto ótico do semáforo (lente/refletor), que produz a falsa sensação de iluminação do foco e confunde o usuário. 

 

Também apresenta maior durabilidade: em média 5 anos, e devido à sua vida útil ser maior, os transtornos com as trocas de lâmpadas é menor. As lâmpadas incandescentes duram em média de 4 a 6 meses.

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