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Após 3 anos, usina de leite deve sair do papel

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Após três anos, a miniusina de processamento de leite e derivados do distrito de Tibiriçá finalmente deverá sair do papel. Segundo a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), o prédio será inaugurado até o final do ano, com capacidade para produção de 6 mil litros de leite por dia.

 

A Associação dos Produtores Rurais Ouro Branco (Aprob), que será diretamente beneficiada com a iniciativa, ainda vê com descrença as chances de início da operação em 2014 (leia mais ao lado). Pelo que a reportagem pôde observar, o prédio ainda conta com infraestrutura mínima, mas, de acordo com o titular da Sagra, Chico Maia, falta muito pouco para que a usina se torne realidade.

 

No início deste mês, a prefeitura abriu licitação para aquisição dos últimos equipamentos necessários, entre eles um aparelho analisador de leite por ultrassom, três mesas de inox e um dosador temporizador para potes e garrafas. O processo foi necessário porque a empresa que havia vencido a disputa entregou os produtos com as especificações erradas.

 

Além destas peças, no entanto, a secretaria terá de pressionar a ganhadora de outra licitação, que, segundo Maia, vem adiando por diversas vezes o compromisso de entregar uma série de aparelhos que havia sido contratada para fornecer. Até o final de março, a lista incluía um pasteurizador, uma embaladeira, um banco de frio, um tanque para recepção de leite, uma iogurteira e um tacho para produção de doces. 

 

Na época, estavam guardadas no almoxarifado da prefeitura uma lavadora de alta pressão e duas balanças eletrônicas. Apenas uma câmara fria estava efetivamente pronta. De lá para cá, conforme a reportagem pôde constatar, poucos passos foram dados.

 

Operação

 

Mas o secretário explica que, assim que todos os equipamentos estiverem instalados, será possível acionar a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) para que técnicos realizem uma nova vistoria no local, a fim de emitirem a última licença que falta: a de operação.

 

“Já obtivemos as licenças prévia e de instalação. Para conseguirmos a de operação, tudo tem de estar pronto. As instalações elétricas e hidráulicas do prédio já foram concluídas”, comenta.

 

As licenças prévia e de instalação, contudo, só foram obtidas recentemente, já que até o início deste ano, a usina não possuía qualquer tipo de licenciamento ambiental para funcionar. Na ocasião, até mesmo a planta do prédio inexistia e demorou para ser confeccionada, já que o número insuficiente de profissionais da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) não dava conta de atender a demanda com urgência. “Toda a parte documental e estrutural já está pronta. Só estamos aguardando estes últimos equipamentos e a licença de operação”, reitera o secretário, destacando que, “com toda certeza”, a usina começa a operar ainda neste ano. 

 

Descrença  

 

No Centro Rural de Tibiriçá, a área da miniusina pertence ao governo do Estado, com concessão de uso por tempo indeterminado pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra). O prédio, preexistente, começou a ser reformado em 2011 para ser adaptado e poder abrigar a usina.

 

Devido à demora de três anos para superar todos os entraves burocráticos para a conclusão da infraestrutura e documentação do estabelecimento, a Aprob assumiu posicionamento descrente diante da promessa de o local finalmente ser inaugurado. Para o presidente da entidade, Cynise Pereira, dificilmente o prédio poderá ser inaugurado neste ano.

 

“O que a gente sabe é que poucos equipamentos já foram instalados. A usina é um desejo antigo para que os produtores possam comercializar leite da maneira correta e com preços mais competitivos. É uma promessa de muito tempo, que nunca saiu do papel”, reclama. 

 

Benefício

 

Segundo o secretário Chico Maia, a miniusina irá beneficiar diretamente os pequenos produtores de leite de Tibiriçá vinculados à Aprob, que reivindica, há anos, a inauguração. Além de passar a contar com instalações apropriadas para pasteurizar o leite, eles também terão condições de fabricar e comercializar queijos, doce de leite e iogurte. “Se houver interesse dos produtores, no futuro, poderemos aumentar a capacidade da usina para processar outros tipos de derivados”, comenta o secretário. A intenção é de que parte da produção possa ser destinada à merenda escolar de escolas municipais e entidades assistenciais credenciadas pela prefeitura.

 

A usina gerará cerca de seis empregos, já que será necessário contratar funcionários para operar as máquinas.

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