Política

Vereadora sugere até fechar UPAs

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Principal vitrine do governo Rodrigo Agostinho (PMDB) na área da Saúde, a construção das quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Bauru já começa a ser questionada por parte dos vereadores, em função da falta de médicos e profissionais na rede de urgência e emergência do município. Na sessão legislativa de ontem, a médica Telma Gobbi (PMDB) chegou a sugerir o fechamento de duas delas.

Na semana passada, o Jornal da Cidade publicou reportagem na qual servidores relatavam sobrecarga e más condições de trabalho, o que motivou a convocação de audiência pública, realizada na última quinta-feira. Nesse fim de semana, os usuários do sistema público voltaram a sentir o déficit de pessoal.

Como noticiado na edição de ontem, a UPA do Ipiranga ficou sem médico no domingo. No sábado, segundo o vereador Roberval Sakai (PP), a equipe do Pronto-Socorro Central (PSC) ficou defasada. Houve ainda desfalque no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Na tribuna, Telma Gobbi reiterou a tese do secretário de Saúde, Fernando Monti, de que a Saúde é um setor “pessoal-dependente”. “Não adianta ter o prédio lá, se não houver funcionários para o atendimento à população. É melhor ter só duas UPAs funcionando plenamente do que quatro com esses problemas”, enfatizou.

A vereadora não pôde participar das mais de quatro horas de discussão da última audiência, na semana passada, por conta de problemas de saúde. A peemedebista, então, rebateu ontem o discurso de Fernando Monti, que pediu para que os presentes no debate apontassem sugestões para os problemas na área.

Telma deixou claro que, apesar de estar à disposição para o diálogo, a obrigação de apontar diretrizes e ações é do gestor, no caso, o secretário de Saúde. “Não precisamos de um Harry Potter [referência à frase de Fernando Monti], mas de alguém que saiba que a solução é difícil, mas esteja disposto a encarar o problema”.

Lima Júnior (PSDB) fez um paralelo da última audiência com o filme italiano “A Vida é Bela”, no qual um pai cria histórias fantasiosas para privar o filho pequeno do terror do campo de concentração nazista para o qual foram mandados, durante a Segunda Guerra Mundial.

“Quase fui tomado pela fantasia vendida pelo secretário. Enquanto ele falava, parecia que vivíamos em um País escandinavo, com o melhor serviço de Saúde do mundo. Perdemos a oportunidade de fazermos um debate franco e sincero”, lamentou o tucano.

Emergência

Já Roque Ferreira (PT) e Fabiano Mariano (PDT) sugeriram que o prefeito Rodrigo Agostinho decrete estado de emergência para voltar a contratar funcionários, independentemente do aperto do limite de gastos com pessoal imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O problema, contudo, vai além, pois a administração também enfrenta dificuldades na ordem orçamentária, o que já coloca em xeque a saída prometida pelo governo a partir da viabilização da Fundação Regional de Saúde.

O parlamentar petista, bem como o vereador Raul Gonçalves Paula (PV), defende a criação da carreira de médico socorrista, com jornada de 12 horas por 36 horas, e salário de R$ 10.000,00.


Reação

Fabiano Mariano (PDT) conduziu a última audiência pública, quando demonstrou profunda resignação à figura do secretário de Saúde. Ontem, porém, recorreu ao rotineiro discurso duro das sessões legislativas. “Minha vontade é ficar calado. Se ele [Monti] não tem a varinha mágica, então quem tem?”, bradou.

A postura do vereador pedetista na última quinta-feira foi bastante criticada por colegas. Ele não estabeleceu tempo para as explanações do titular da Saúde, que arrastaram o debate e, em decorrência do horário – a audiência terminou às 23h – privaram questionamentos e apontamentos de servidores presentes. Muitos ficaram irritados com a demora e deixaram a Câmara Municipal antes do fim da reunião.


Outro nome

Vereador do partido presidido pelo secretário Fernando Monti – o PR -, Carlão do Gás protagonizou embates com os críticos do gestor da Saúde na sessão de ontem. Após declarações de Roberval Sakai (PP), ele pediu que o colega de Câmara indicasse ao prefeito alguém com capacidade técnica para resolver os problemas do município.

“O secretário, na audiência, colocou o cargo à disposição. Apresente um nome ao prefeito”, provocou Carlão, que ainda cobrou compromisso dos médicos que não cumprem escalas de plantão.

Roberval retrucou, alegando que seu objetivo não é pedir a cabeça do titular da Saúde nem do diretor de Urgência e Emergência, Luiz Antônio Bertozo Sabbag. “A gente só quer uma solução”, finalizou.

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