Esportes

Nem tudo para quando o Brasil joga

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Em Bauru, ruas e avenidas pareciam verdadeiros desertos na tarde de ontem, momento em que a Seleção entrou em campo pela segunda vez Na Copa do Mundo 2014. Porém, nem tudo parou por conta da disputa. O expediente acabou mais cedo para muitos bauruenses, contudo, alguns ficaram de fora desse privilégio. Mesmo trabalhando, esses profissionais “deram um jeitinho” para acompanhar os principais lances da competição.

Esse é o caso de Claudemir Rosário e Luiz Fernando Martins. Um é condutor de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e outro é técnico de enfermagem do mesmo órgão. Rosário trabalha como motorista há 35 anos, mas, há dez, está no serviço de emergência. “Nunca assisti à nenhuma Copa do Mundo por conta do trabalho, mas ‘dou uma espiada’ na televisão quando dá tempo”, conta o funcionário.

Martins, por outro lado, relata que é a primeira Copa que perde, mas os funcionários sempre arrumam um modo para acompanhar as partidas. “Nós temos uma televisão, mas quando estamos em alguma ocorrência, monitoramos os resultados pelo celular e, até mesmo, pelo barulho dos rojões, momento em que sabemos que a Seleção marcou gol”, explica. Além disso, o técnico afirma que os dias de jogos são menos movimentados, sendo que as ocorrências mais graves acontecem sempre antes ou depois das partidas.

É exatamente esse cenário típico de feriado, com ocorrências mais graves, que impediu o delegado Mário Henrique Ramos, da Central de Polícia Judiciária (CPJ) ficar em frente à televisão. “Por conta do jogo da Seleção, temos muitas ocorrências típicas de feriado, como tráfico e lesão corporal. Porém, se o Brasil fizer gol, eu arrumo um tempinho para ir até a televisão e ver o replay”, brinca o delegado plantonista.

Dever ou lazer?

É claro que os profissionais colocam o dever em primeiro lugar, mas quando existe a possibilidade de “unir o útil ao agradável”, trabalhar em um dia que quase ninguém o faz deixa de ser um fardo. E foi dessa forma que os funcionários de um posto de combustíveis, localizado na quadra 18 da avenida Nações Unidas, na Vila Universitária, encararam o expediente de ontem. Eles improvisaram uma televisão no box de troca de óleo e dividiam-se entre atender aos clientes e assistir ao esperado jogo.

Cleber Roberto Pereira, operador de caixa do estabelecimento há 13 anos, confessa que já perdeu quatro Copas do Mundo, mas consegue torcer do mesmo jeito. “Não é a mesma coisa de estarmos com amigos e família, mas conseguimos acompanhar, sempre com um olho na bomba de combustíveis e outro na televisão”, complementa o funcionário.

Na mesma condição, estava o motorista de circular Oduvaldo Tozi Sobrinho, que declara nunca ter parado para assistir à qualquer jogo da Copa do Mundo. “Essa é a primeira disputa da Copa que consigo parar para ver”, diz Sobrinho, que acompanhava a competição pelo lado de fora de um estabelecimento, localizado em frente à Praça Machado de Mello, no Centro. “Mas é por uma boa causa. Consigo transportar as pessoas para verem os jogos com familiares e amigos”, finaliza o motorista.


Todo brasileiro gosta de futebol?

Enquanto a maioria está dominada pela euforia do futebol, o soldado Eduardo Costa Ruiz, da Polícia Militar (PM), nem deu bola para a disputa de ontem, chegando até a se oferecer para fazer parte da escala de plantão do dia. “Eu não ligo muito para futebol”, pontua. Ele acrescenta ainda que a polícia é ainda mais necessária durante esse tipo de evento. “Muitas pessoas saem de casa para assistir aos jogos, ‘dando bandeira’ para furtos ou crimes dessa categoria”, conclui o militar.

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