Manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fizeram caminhada na quarta-feira (18) até a sede do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi) para pedir urgência na votação do Plano Diretor para a construção de moradias populares na área da Copa do Povo, em Itaquera, além de reivindicar outras áreas. A Polícia Militar (PM) estima que 3 mil pessoas participaram da caminhada.
“Temos um Plano Diretor que será votado, no qual a área da Copa do Povo, que é área em Itaquera, ficou fora. Por pressão nossa, será votada em plano à parte, paralelo ao Plano Diretor. A nossa exigência é que seja votado no mesmo período. Sabemos que grandes incorporadoras, empreiteiras e construtoras são contrárias ao elenco de áreas das zonas especiais de Interesse Social (Zeis), porque diminui o faturamento delas. E são justamente essas construtoras que financiam as campanahs dos vereadores. Por isso, estamos fazendo uma visita à patronal das empreiteiras e construtoras de São Paulo”, disse Jussara Basso, uma das líderes do MTST.
Segundo ela, a intenção dos manifestantes não era tentar negociação com o Secovi, mas mostrar a indignação do movimento em relação à posição do sindicato. Durante o ato, os manifestantes fecharam o sentido centro-zona sul da Avenida 23 de Maio.
Segundo o major PM Sergio Watanabe, a intenção, acordada com líderes do movimento, era fechar apenas duas faixas da avenida, mas por causa dos motoristas, que “de forma bastante imprudente e até irresponsável começaram a passar ao lado da manifestação, em alta velocidade”, a polícia decidiu fechar toda a via. O ato foi pacífico. Na chegada à sede do Secovi, às 16h, os manifestantes tentaram invadir o local, mas policiais já estavam posicionados para impedir a entrada dos sem-teto.
Durante a manifestação, os policiais aproveitaram também para multar motoristas, que estavam no sentido oposto da Avenida 23 de Maio, por imprudência. “Muitos condutores estavam simultaneamente dirigindo e fazendo imagens da manifestação. Isso é infração de trânsito”, explicou Watanabe. De acordo com Jussara, a votação do Plano Diretor pelos vereadores de São Paulo deve ocorrer entre os dias 24 e 25 de junho.