Nem Neymar, nem Oscar. Questionado pela maioria dos torcedores bauruenses, quem brilhou no jogo da Seleção Brasileira valendo vaga nas quartas-de-final contra o Chile, na tarde de ontem em Belo Horizonte, foi o goleiro Julio Cesar, que defendeu duas das cincos cobranças de pênaltis e fez a diferença.
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Quioshi Goto |
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Wendy Cabreira lamentou as chandes perdidas pela seleção: “Aquela bola do Hulk (chute de fora da área) deveria ter entrado” |
Apesar da classificação, os 120 minutos de bola rolando foram tensos como já era de se esperar. O Brasil começou bem com gol saindo aos 17 minutos do primeiro tempo, do zagueiro David Luiz.
Apesar da vantagem, a Seleção não deu continuidade ao resultado e teve uma atuação ruim no resto do jogo, tanto que o gol chileno saiu aos 32 minutos depois de um erro de Hulk na lateral. 1 a 1. Dessa maneira, o jogo voltou a ficar duro e difícil. O juiz também não quis trabalho e poupou o apito deixando a bola correr.
A comerciária Ivone Gonçalves Portel de 45 anos, acompanhou o jogo sem perder nenhum detalhe. “O jogo está emocionante, mas acredito na vitória brasileira. O Neymar fará a diferença”, falou ao término do primeiro tempo. Mal sabia ela que o jogo estava longe de acabar.
Mais jogo
No segundo tempo, o Brasil teve algumas raras chances de virar, mas nenhuma efetiva. A maior posse de bola ficou nos pés da “Roja”, o que não evitou uma prorrogação. A bancária Wendy Cabreira, 34 anos, lamentou as chances perdidas. “A Seleção perdeu muito gol no tempo normal. Aquela bola do Hulk devia ter entrado”.
Nos 30 minutos de prorrogação, apesar do cansaço físico e psicológico, o Brasil melhorou sua marcação em campo, mas uma bola de Pinilla na trave, no último minuto do segundo tempo da prorrogação, levou os corações brasileiros à boca. Enfim, os pênaltis.
Durante o pequeno intervalo antes das cobranças, a técnica em segurança do trabalho, Isabel Aparecida Veraldo, de 53 anos, mostrou confiança. “Estou apreensiva porque não gosto de pênaltis, mas acredito no Brasil. Estou confiante na vitória”, declarou.
Dívida paga
Se alguém ainda contesta o goleiro Julio Cesar pela falha na eliminação brasileira na Copa de 2010 pela Holanda, ontem a dívida dele foi paga. Apesar de toda a tensão que o tiro livre traz, o atual titular do Toronto FC do Canadá, cresceu e virou uma muralha. Defendeu duas das cinco cobranças de pênaltis e garantiu a vaga brasileira nas quartas e, de quebra, ainda salvou a pele de Willian e Hulk, que erraram a cobrança. “Julio Cesar com certeza foi o protagonista de hoje (ontem). Foi um jogo bem difícil e ele cresceu na decisão”, disse o empresário Arcílio Gonçalves Júnior, 60 anos.
Quioshi Goto |
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Arcílio Gonçalves só respirou aliviado após heroi do dia pegar as penalidades, Thales Mendes sofreu acompanhando o Brasil nos pênaltis e Rafael Santos lembra que jogo de Copa do Mundo é sempre tenso |
Silêncio
Diferentemente dos outros jogos da Seleção, a maioria da torcida que lotaram os bares de Bauru, desta vez, estava mais quieta e apreensiva. Nada de gritos ou confiança exacerbada durante a partida. Só depois dela. “O jogo foi bem difícil, mas Copa do Mundo é assim mesmo. Julio Cesar e David Luiz foram excepcionais hoje. Quero que o Brasil continue assim e ganhe todas. Estou confiante que essa é nossa!”, falou o funcionário público Rafael Franco, de 29 anos.
‘Chi-chi-chi, le-le-le’, só que não
O famoso grito da torcida Roja ficou só no pensamento, no jogo de ontem entre Brasil e Chile. Quem acompanhou atento à partida, foi o pivô do Paschoalotto/Bauru Sub-17, o chileno Javier Barra. Cercado pelos companheiros de time, o jogador só tirava os olhos da televisão para responder a alguma brincadeira ou provocação dos amigos.
Passado toda a tensão dos 120 minutos mais as cobranças de pênaltis, o chileno lamentou a derrota e disse que o Brasil contou com um pouco de sorte pra ganhar. “O Chile não tem um bom jogo aéreo e não soube lidar com a pressão. Foi um pouco de sorte e a boa atuação do goleiro do Brasil. Tivemos boas chances, pena que não deu certo”, disse.
Perguntado sobre o a Seleção Canarinho, ele acredita que Neymar faz toda a diferença e que sempre é preciso uma forte marcação para anulá-lo.“Neymar é um ótimo jogador, mas agora vou apenas acompanhar e torcer para ser uma boa Copa, não vou torcer para nenhuma outra seleção específica”, declarou.
Bruno Freitas/Divulgação |
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Torcedores lotaram o Bauru Tênis Clube e assistiram o Brasil vencer o Chile nas oitavas de final, nos pênaltis |
