Tribuna do Leitor

Judiciário e Fundação Casa: nós avisamos!


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O título é inspirado na manchete deste jornal de 2/7/14. Recentemente, houve alterações no Regimento Interno da Fundação Casa. Vários funcionários, inclusive eu ? que trabalhava lá ? fizemos um documento alertando a Fundação Casa de que as alterações do Regimento não dariam certo e que a indisciplina e a reincidência iriam aumentar tremendamente. A Fundação Casa nos ignorou!  Eu encaminhei e-mail para o Ministério Público alertando sobre possíveis ilegalidades das alterações e sobre a gravidade da situação. Pedi mais de uma vez para que alguma providência fosse tomada. O Ministério Público (dr. Onilande) me ignorou!

Agora não tem vaga para acolher os adolescentes?  E ainda culpa apenas a Fundação Casa? Sinceramente, a culpa também é do Judiciário e do Ministério Público!

Dá para contar nos dedos as vezes que vi o dr. Ubirajara e dr. Onilande na Fundação Casa. Nunca os vi conversando com algum funcionário sobre a política de atendimento ou sobre qualquer assunto que pudesse amenizar a atual situação.

É público e notório que a Fundação Casa está passando por procedimento de reforma. Além disso, está construindo um novo prédio e é obvio que a oferta de vagas seria comprometida. A meu ver, o Judiciário e o MP deveriam gastar energia para entender os reais motivos que levam os adolescentes à Fundação Casa e, principalmente, saber por que os adolescentes ficam internados, gastamos uma fortuna com essa internação, eles têm atendimento cinco estrelas e depois que saem, eles voltam ? antes que a camas deles esfriem.

A Fundação Casa não admite, mas a taxa de reincidência é estrondosa. A incidência de egressos da Fundação Casa que entram no sistema penitenciário é gigantesca. Ninguém controla essa taxa, porque não querem que seja estatisticamente comprovado que a Fundação Casa, do jeito que está hoje, é um absoluto fracasso.

Com muita frequência, vejo um dos adolescentes que conheci internado na Fundação ? hoje adulto ? estampando as páginas policiais deste jornal. Dificilmente, passa uma semana sem que eu reconheça um rosto ou um nome na coluna policial. Pior: não há interesse em mudar essa realidade ? simples assim!

O jogo de empurra-empurra sempre vai existir, mas gostaria de esclarecer que essa situação poderia ter sido evitada ou, ao menos, amenizada. Nós ? funcionários da Fundação Casa e eu ? avisamos!

Gizele Regina Miranda dos Santos 

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