Cultura

Tudo pela cultura e a paz

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

“Onde há paz, há cultura e onde há cultura, há paz”. A definição é de Nikolai Roerich, idealizador do Pacto da Paz há 85 anos. E é o que acredita Flávia Toqueti, articuladora da Cultura da Paz, coordenadora do Núcleo Experimental Sítio Casa do Jatobá, em Arealva, e uma das responsáveis pela realização das atividades que marcam o Dia Municipal da Cultura e da Paz, comemorado nesta sexta e cuja programação começa hoje e se estende pela semana.

 

O evento busca destacar o poder da cultura como instrumento de transformação pacífica. “É a cultura como veículo de propagação da paz. Onde existem pessoas cultas não existe a ignorância”, define Toqueti. O ideal do evento é marcar o trabalho de resgate de valores muitas vezes esquecidos pelas exigências da rotina, compromissos profissionais e pelo afastamento promovido por tecnologias. “As pessoas correm tanto atrás das contas para pagar, por exemplo, que as relações humanas de confiança estão sendo perdidas. O contato humano, o desenvolvimento nas crianças de valores estéticos, que na verdade são padrões morais, estão sendo perdidos. Há um interesse de muitos setores da sociedade que este resgate comece a acontecer”, pontua Toqueti.

 

O evento chega ao terceiro ano, o segundo após a aprovação da lei que institui o Dia Municipal da Cultura e da Paz no Calendário Oficial do Município. “Nosso trabalho começou um ano antes, há quatro anos, com a sensibilização e articulação, envolvendo as pessoas e propondo que fossem feitos trabalhos no caminho da Cultura de Paz. A Câmara Municipal entendeu a proposta e ficou instituído o dia 25 de julho como Dia Municipal da Cultura e da Paz. Este é o primeiro ano que a Prefeitura está envolvida”, explica Toqueti. 

 

A programação prevê atividades artísticas, científicas, religiosas e culturais, com confraternização. O objetivo, de acordo com os organizadores, é compartilhar saberes e experiências de convívio, celebrar a união, vivenciar a paz, repensar atitudes e contemplar o sagrado em busca do desenvolvimento humano e social.

 

O evento é realizado através de articulação de Sesc, Senac, Prefeitura de Bauru, Secretaria de Cultura, Rede Social Entrelaços, Sítio Casa do Jatobá e Preserva Mundi. A organização está a cargo da Comissão Municipal da Cultura e da Paz, que conta com representantes dos Poderes Executivo e Legislativo, Secretarias de Cultura e Educação e comunidade.

 

Destaques

 

Dois dos destaques da programação neste ano são as presenças do educador, antropólogo e folclorista Tião Rocha e da filósofa, psicóloga e poetisa Viviane Mosé. “O Tião Rocha é um educador mineiro muito famoso, que tem um projeto com meninos do Vale do Jequitinhonha e trabalha muito a questão do resgate da cultura de raiz na educação das crianças. Por exemplo, ele ensina a criança a escrever fazendo biscoito de polvilho, escrevendo na assadeira. E em uma região bem carente. É um projeto que tem mais de 20 anos”, aponta Toqueti. “E a Viviane Mosé tem um trabalho muito conhecido”, acrescenta. A coordenadora salienta que o evento traz também workshop da Ciência da Felicidade, com Rachel Trovarelli, e oficina de Comunicação Não Violenta, com Elizabeth Cerri, entre outras atividades.

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