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Padrinho da cultura popular

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 1 min

O Brasil é um país jovem que fica no meio termo de buscar o moderno ao importar modismos americanos e não valorizar a sua rica e diversificada cultura popular. Quando se busca o regionalismo, há o preconceito de não enxergar na manifestação popular de onde realmente se encontra o desenvolvimento cultural. Se despediu na última semana deste mundo material Adriano Suassuna, o Dom Quixote nordestino, o maior defensor da cultura brasileira.

Como ele próprio dizia, simpatizava com duas raças: o mentiroso e o doido, os primos legítimos dos escritores.

A sua obstinação na defesa da música, da dramaturgia e da cultura nodestina realmente é dessas doideiras que poucos brasileiros acreditam que este país tem uma cultura rica misturada com o índio, o negro, o sertanejo e nossa herança ibérica.

A fama de contador de história nos remete a essa cultura oral à la brasileira que é universal.

Suassuna não morreu, apenas encerrou o seu grande legado e nos deixa uma vasta obra literária que só agora vai ser imortalizada para sempre como nome da literatura deste século 21.

Ainda falta neste país brasileiro dessa envergadura intelectual, sem ser pernóstico e insensível de não enxergar que a maior riqueza de uma nação está na cultura de seu próprio povo. Suassuna é tudo isso: uma mistura do picaresco, do profano e do religioso. É mais um contador de história para alegrar o céu e até o inferno, afinal, na sua obra brinca com essa dualidade, muito bem contada no "Auto da Compadecida".


O autor é editor regional do Jornal da Cidade

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