A Polícia Civil investiga o caso de dois adolescentes, de 14 e 12 anos, que teriam sido abandonados pela própria mãe, na noite desta segunda-feira (28), em Bauru. Os irmãos também alegaram que teriam sofrido maus-tratos.
A tia das vítimas informou à polícia, na noite de ontem (29), que recebeu uma mensagem em seu celular da ex-cunhada, que reside em São Paulo, informando ter deixado os filhos no Terminal Rodoviário de Bauru. Em seguida, os adolescentes foram até a residência da tia em um táxi e relataram que a mãe os agrediu e os deixou.
Segundo a delegada Alexandra Gonçalves Nogueira, a ocorrência, que foi registrada como abandono de incapaz e maus-tratos, será passada para São Paulo por meio de carta precatória. “Como a mãe das vítimas reside em São Paulo, iremos repassar a denúncia ao setor de investigações de lá para localizarem a mulher que foi denunciada. A investigação faz todo esse processo”.
Os adolescentes estavam com ferimentos e um exame de corpo delito foi expedido no Instituto Médico Legal (IML) para que a ocorrência possa seguir sob investigação.
Maus-tratos a crianças é o mais denunciado
Este será mais um caso de maus-tratos que entrará para as estatísticas de denúncias em Bauru este ano. De acordo com a delegada Alexandra, no primeiro semestre de 2014 foram 17 casos de maus-tratos. Em 2013, no mesmo período, foram 16.
“Desses 33 casos - de 2013 e 2014- 18 foram contra crianças e 15 contra idosas. Como podemos reparar, o número de denúncias de maus-tratos a idosas acabam sendo menores, pois geralmente as denúncias são feitas pelos vizinhos e a maioria das vítimas tem receio de registrar boletim por causa da intimidação que sentem”, explicou.
Outro fato que intimida as vítimas à denunciarem são as visitas domiciliares. “ Após recebermos a denúncia por meio do Conselho Tutelar, Dique-Denúncia ou registro de boletim de ocorrência, trabalhamos com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Centro de Referência da Assistência Social (Cras) para realizarmos visita na casa das vítimas e verificarmos se a denúncia procede. Elas, porém, se sentem intimidadas com as visitas, pois verificamos a situação que vivem, alimentação e higiene”, disse.
Ainda segundo a delegada, a Polícia Civil realiza campanhas para diminuir o receio das vítimas em denunciar e esclarecer que é possível denunciar sem se identificar. “Recebemos da mesma forma a denúncia feita pelo Dique-denúncia, que é pelo número 181. Não há diferença entre registrar um boletim ou ligar para denunciar”.