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Cavalo dado não se olha os dentes - será?!

Eduardo Gomes Pegoraro
| Tempo de leitura: 3 min

Se tivessem agido de modo contrário, os troianos não teriam sucumbido perante os gregos. E um viaduto extremamente necessário, que é dado a nossa cidade, deve ser aceito pelo simples fato de ser um presente? Esta é a questão que colocamos para todos refletirem. Explico: soubemos na semana passada que já está declarada a construtora vencedora da licitação do viaduto sobre os trilhos férreos na avenida Comendador José da Silva Martha. Tal licitação e declaração da empresa vencedora foi efetuada a nível federal pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e (pasmem!!) sem qualquer participação de nossa prefeitura ou de sua Secretaria do Planejamento. Ao visualizarmos o projeto do mesmo nos deparamos com um verdadeiro "monstrengo", que, a nosso ver, resolverá essencialmente o problema da ferrovia, deixando um enorme "abacaxi" viário a ser descascado pela nossa prefeitura, pois esta obra será totalmente aterrada com um vão exclusivo para a passagem das composições ferroviárias!

Visualizem a grande maioria dos viadutos existentes ao longo da rodovia Marechal Rondon e saberão do que estamos falando. Aquelas peças recortadas que se encaixam suportando o aterro com o asfalto por cima.

Explicando: quem chega dos condomínios Tivoli 1, Tivoli 2, Villa Lobos, adjacências do Cemitério do Ipê e até do condomínio Lago Sul, será obrigatoriamente direcionado para uma rotatória na avenida Comendador da Silva Martha, independentemente da direção que venha a seguir: à direita ou à esquerda. O mesmo vale para quem vai da praça Portugal em direção ao recinto Mello Moraes e ultrapassa a linha de trem. Cairá obrigatoriamente nesta mesma rotatória, mesmo que quisesse simplesmente virar à direita para se dirigir ao Jardim Terra Branca ou à Vila Independência, como hoje fazemos entrando na rua Benevenuto Tiritan, defronte ao posto de combustíveis. Os caminhões (maioria oriundos da antiga Sanbra), que hoje já se utilizam da rua Felicíssimo Antonio Pereira para atingirem a avenida José Vicente Aiello e por esta chegarem às rodovias (Bauru-Ipaussu e Marechal Rondon) também desembocarão na rotatória. Isto vale também aos frequentadores do Bauru Tênis Clube (BTC).

O que ocorre hoje na rotatória da praça Chujiro Otake (Duque de Caxias em direção à Vila Falcão) será "fichinha" perto do caos que teremos nesta nova rotatória. Além do mais, inviabilizará totalmente o projeto de ligação daquela região com o viaduto que está para ser inaugurado, através da rua Sorocabana (também consta que já existe tal estudo), pois esta rua terá seu término no grande paredão do aterro do viaduto. Como representantes da classe dos engenheiros e arquitetos de nossa cidade não podemos nos calar perante esta "agressão visual" e total inadequação viária que se vislumbra.

Sabemos perfeitamente da necessidade deste viaduto, ainda mais por termos notícias (serão boatos?!?!) de que a empresa ferroviária aumentará em muito (falam em até 10 vezes) o volume de carga que transportam e por isso o fluxo de trens crescerá na mesma proporção. A preocupação com os acidentes é latente e exige atuação imediata, mas daí aceitar a transferência do "pepino" para os munícipes é uma decisão que não podemos permitir.

Longe de nós a pretensão de decidirmos o futuro de nossa cidade. Somos particularmente favoráveis à democracia e todas suas implicações, inclusive em aceitarmos que temos representantes no Executivo e no Legislativo por nós eleitos e pagos para tais decisões. E exatamente por isso conclamamos nossos representantes a uma avaliação sobre o recebimento deste "presente".

Senhores vereadores, secretário de Planejamento, secretário de Obras, secretário de trânsito (Emdurb), assessor jurídico e prefeito: podemos evitar o mal que se avizinha. Mas temos que agir rápido para viabilizar uma substituição por outra opção mais viável. Já pensaram numa obra estaiada com alças aéreas para ambos os lados? É só uma sugestão... Lógico que a Assenag se coloca à disposição para este debate. Não estamos aqui somente para espalhar as penas, mas para evitar que elas se espalhem. Não nos omitiremos! Afinal, uma das finalidades de nossa associação, estipulada em nosso estatuto, é exatamente "colaborar nos estudos e soluções de problemas técnicos, procurando firmar-se com uma posição junto à comunidade municipal, estadual ou federal".

O autor é engenheiro e presidente da Assenag

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