Quioshi Goto/Arquivo JC |
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Hospital Centrinho será administrado pelo governo estadual |
A proposta da reitoria de transferir para o governo do Estado a gestão do Hospital do Centrinho foi aprovada, nesta teçra-feira (26), pelo Conselho Universitário da USP. A mudança é uma das medidas para estancar a crise financeira da instituição, que tem 106% de sua receita comprometida com folha de pagamento.
Em meio à greve de docentes e demais funcionários (leia mais abaixo), o reitor Marco Antonio Zago havia admitido, há 11 dias, a possibilidade de abrir mão do Centrinho, em reunião da qual participaram 80 diretores de unidades de ensino, pesquisa, institutos especializados e demais órgãos vinculados à USP.
Na ocasião, foi garantido que os servidores do hospital de Bauru continuariam vinculados à universidade. As mudanças afetariam diretamente apenas as novas contratações.
Para gerenciar a entidade - referência internacional para o tratamento de anomalias craniofaciais, fundada há 47 anos -, a proposta prevê a criação de uma nova autarquia, subordinada à Secretaria do Estado de Saúde.
Superintendente do Centrinho, Regina Célia Bortoleto Amantini explica, porém, que, nos termos da transferência aprovados pelo Conselho Universitário nesta terça-feira, constam que a gestão administrativa dessa autarquia permaneceria sob a responsabilidade da USP, mas custeada pelo governo paulista.
“Agora, esses termos terão que ser discutidos com o Estado. Precisamos saber o que eles pensam para o futuro do Centrinho. Só dessa forma, poderei dizer se sou favorável ou contrária à transferência”, pontua Regina Amantini.
Perfil
Para a superintendente, é fundamental que a Secretaria de Saúde aceite manter a concentração dos atendimentos do hospital nas áreas de fissura labiopalatal e deficiência auditiva e, eventualmente, agregar alguns outros serviços correlatos.
Regina, por outro lado, reconhece que a absorção do custeio do Centrinho pelo Estado viabilizaria novas e, segundo ela, necessárias contratações.
“Enfrentamos dificuldades com quadro de pessoal deficitário. O reitor, por sua vez, já deixou claro que não pretende realizar contratações pelos próximos dois anos e, mesmo quando elas voltarem a acontecer, serão priorizados os docentes para os cursos de graduação da universidade”, explica a superintendente do Centrinho.
Em junho do ano passado, o hospital confirmou a queda no número de atendimentos e procedimentos, motivada, entre outros fatores, por reduções de jornadas de trabalho, mudanças no regime de contratações de profissionais e até a aposentadoria de José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, que tinha grande poder de influência e articulação após 45 anos como superintendente e líder da unidade.
Predião
No dia 8 de agosto, com exclusividade, o Jornal da Cidade noticiou que o Centrinho doaria o “predião”, localizado no entorno do Parque Vitória Régia e ainda parcialmente ocupado, para o governo do Estado.
A Secretaria de Saúde, na ocasião, confirmou a notícia de que o imóvel de 11 pavimentos abrigaria o sétimo hospital público de Bauru e que já trabalhava no desenho dos tipos de atendimentos que seriam prestados no local e na definição do formato de gestão da unidade.
Hospital Universitário
Ao contrário do que decidiu sobre o Centrinho, o Conselho Universitário da USP decidiu adiar a decisão sobre a transferência do Hospital Universitário (HU) para o governo estadual. A medida veio após pedidos da direção da Faculdade de Medicina e dos alunos, que fizeram uma paralisação de dois dias em protesto. Com o adiamento, uma comissão será formada para discutir o tema e terá um prazo de 30 dias para apresentar os resultados. Ainda não há informações sobre como será formada essa comissão. O conselho também não votouu o programa de demissão voluntário proposto pela reitoria.
A greve
Em meio à uma crise financeira, há três meses, servidores da USP estão em greve. O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) pede reajuste salarial de 9,78%, enquanto a universidade descartou qualquer negociação. Inclusive, funcionários da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), do Centrinho e da prefeitura do câmpus bauruense também seguem em greve.
Para tentar por um fim ao impasse, a Justiça do Trabalho marcou para hoje uma nova audiência de conciliação entre a USP e o sindicato da categoria. .
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