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Bauru está entre as 39 cidades selecionadas pelo Ministério da Educação (MEC) para ter um curso de medicina em uma instituição de ensino superior privada. O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira (4), pelo ministro da Educação, Henrique Paim, em conjunto com o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Jaú (47 quilômetros de Bauru) também está apta a receber um curso privado.
Durante o evento, o ministério anunciou que uma audiência pública com as instituições interessadas ocorrerá nos próximos dias. A previsão de conclusão da seleção das faculdades é o fim deste ano. Entre os critérios, já se sabe que as instituições com cursos na área de saúde bem avaliados devem ter prioridade, além daquelas com um plano político-pedagógico.
Os cursos anunciados ontem pelo MEC estão ligados ao programa Mais Médicos, visando o aumento do número de profissionais no Brasil. O projeto contempla municípios com mais de 70 mil habitantes, e começou em outubro do ano passado, conforme noticiou o JC, quando 205 cidades manifestaram interesse. Dessas, 154 enviaram a documentação necessária e 49 foram pré-selecionados, com 39 entrando nesta lista final.
O secretário de Saúde de Bauru, Fernando Monti, participou do anúncio, em Brasília, e, antes de retornar, conversou com o JC por telefone. “Foi com grande satisfação que recebemos a confirmação de Bauru nessa lista. A formação de médicos na cidade nos ajudará em vários aspectos, e outro ponto interessante é que, pela primeira vez os novos cursos terão uma linha mais voltada ao atendimento ambulatorial, e não apenas hospitalar”, ressalta o secretário.
Bauru colocou dois hospitais à disposição do curso: o Hospital de Base e a Maternidade Santa Isabel, ambas administradas pela Famesp. A gestão das duas unidades já havia autorizado a prefeitura a liberá-las para uso do curso, segundo Monti.
Próximos passos
A faculdade que implantará o curso de medicina em Bauru será conhecida no mês de dezembro, segundo o governo federal.
Ainda este mês, em setembro, será lançado o edital de chamada pública para a apresentação de propostas pelas instituições de ensino privadas interessadas. Antes da publicação, uma audiência pública será realizada em Brasília, na próxima semana, para a discussão dos critérios de escolha previstos no processo.
Em portaria do dia 25 de agosto, o MEC definiu as contrapartidas que devem ser oferecidas pelas instituições: formação para os profissionais da rede de atenção à saúde; construção ou reforma da estrutura de serviços de saúde e aquisição de equipamentos para a rede de atenção à saúde; pagamento de bolsas de residência médica em programas de medicina de família e comunidade e, no mínimo, dois outros em áreas prioritárias - clínica médica, pediatria, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia.
Vestibular
Apesar da instituição que vai abrigar o curso ainda não ser conhecida, pois o edital só será lançado neste mês e qualquer faculdade privada pode se habilitar, Monti é otimista quanto ao início das aulas. “O trabalho é para que o vestibular seja já para 2015, ou seja, para que a primeira turma comece as aulas no início do próximo ano”, adianta.
O secretário acrescenta que toda a rede municipal de saúde foi colocada à disposição para o futuro curso. “A avaliação da nossa rede básica foi muito boa por parte do MEC. Um reconhecimento que muitas vezes não temos em Bauru”, comenta.
Apesar das previsões otimistas de Monti, o MEC não confirma tal prazo.
E faculdade pública?
A vinda de um curso privado para Bauru não exclui o interesse da cidade em ter uma faculdade pública de medicina. “A nossa prioridade sempre foi ter um curso público. Atualmente, com a crise das universidades estaduais, é difícil que a USP ou a Unesp instalem medicina aqui. Nosso foco maior está no governo federal, estamos mantendo conversas o tempo todo com os Ministério da Saúde e da Educação com o intuito de ter um câmpus de universidade federal em Bauru com o curso de medicina”, aponta o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
Jaú confirmada
Além de Bauru, a vizinha Jaú também comemora a autorização para um curso privado de medicina. Segundo o prefeito Rafael Agostini (PT), a cidade montou várias frentes de trabalho para conquistar o direito ao curso. “A primeira frente foi construir parceria com nossos hospitais: a Santa Casa, que é o hospital geral que atende toda a região e que pode servir como hospital-escola, o Amaral Carvalho, referência em oncologia, e o Hospital Thereza Perlatti”, disse, por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura de Jaú.
A prefeitura da cidade confirmou ainda que se compromete em concluir as obras da UPA iniciadas em janeiro deste ano.
Instituições interessadas
Seis instituições de ensino superior manifestaram interesse em abrigar o curso. Porém, qualquer outra pode aderir ao edital de chamamento público que o MEC publicará ainda este mês, ou seja, mais entidades poderão se interessar. Das seis que haviam procurado o município antes, apenas uma é bauruense: a Faculdades Integradas de Bauru (FIB), que foi inclusive uma das primeiras a manifestar o desejo em ter o curso.
Outras três faculdades de fora mas que possuem campus em Bauru também tem interesse: a Universidade Paulista (Unip), a Faculdade Anhanguera e a Uniesp. As duas instituições interessadas sem atividade na cidade atualmente são a Universidade de Marília (Unimar) e a Faculdade do Litoral Sul Paulista (Fals).
O prefeito Rodrigo Agostinho, que confirmou a informação das seis instituições, acredita em um impacto maior a partir do momento em que a primeira turma se formar – ou seja, daqui a pelo menos seis anos. “Com um curso de medicina, há uma migração de profissionais, e muitos ficam na cidade”, argumenta. O secretário de Saúde, Fernando Monti, acredita que cerca de 70% dos alunos possam permanecer na cidade e região, segundo dados do próprio Ministério da Saúde. “É uma tendência, boa parte dos alunos que se formam ficam na cidade e região. Pode nos ajudar a suprir um déficit de médicos na cidade”, lembra.
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Divulgação |
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O ministro da Saúde, Arthur Chioro, fez o anúncio das cidades autorizadas, na tarde de ontem |


