Tribuna do Leitor

A grande festa da democracia se aproxima!


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Os milhares de cartazes, gritos, gestos e reivindicações do nosso povo surtiram efeito e o sistema político do nosso país passou pela alteração de que todos queriam. Passamos a ter o direito de participar desta festa, na qual como qualquer outra não faria sentido e nem teria andamento se não obtivessem seus convidados. Como todo evento de confraternização, os convidados tem ciência de que somos seres providos de uma parcela mínima que seja de educação, liberdade de expressão (desde que arque com as consequências), ética, respeito e capacidade de nos comunicarmos. Desta forma, todo início de festa nos encontramos, abraçamos, bradamos uns aos outros e conversamos bastante, falamos sobre como andam as nossas vidas, sobre nossos planos e "ideias" para o futuro, tudo em perfeita harmonia. O tempo da confraternização continua correndo e algo no cenário começa a mudar. Aquilo que aparentava ser harmonioso ganha um tom oposto (talvez em virtude de bebida fermentada...), ânimos começam a se alterar e os princípios básicos de relacionamento com o próximo dão lugar a ataques, afirmações, que tendem a afetar a imagem de um para o com o outro, com intuito único de mostrar a sujeira para todos os presentes.
Tenho escutado de tudo na festa, desde que há uma que é amiga da filha do banqueiro (esta estava se destacando na festa com uma saia inconfundível), outro que decidiu fazer uma pista de aeroporto na propriedade da família, se defendendo garantindo não ter interesse na valorização da terra devido à construção (quando escutei este cheguei à conclusão de que era dono do maior senso de humor da festa). Ouvi que o Estado do Maranhão continua valorizando sua árvore genealógica (como é lindo o amor pela família!), e por fim, até onde me lembro, ao invés de escutar, enxerguei de longe uma que saiu correndo da festa porque fizeram uma pegadinha dizendo que derrubariam gasolina no recinto e tacariam fogo (a expressão facial de susto ao falar gasolina para ela foi demais).
A festa continuou e eu fui embora sem saber em quem acreditar, afinal, não sobrou um com uma imagem que me transmitisse motivos para depositar confiança para conversar sobre meus anseios, como andam minha qualidade vida, planos, estudos, saúde e confiabilidade na política brasileira...

Marco Aurélio Martelli

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