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Há 15 dias sob calor intenso, umidades relativas do ar baixas e sem chuvas, Bauru chega ao ápice de uma crise no sistema de abastecimento. Na quinta-feira (18), o Rio Batalha, principal manancial de abastecimento da cidade, registrou nível de sua lagoa de captação na Estação de Tratamento de Água (ETA) de 1 metro. Diante da marca, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) decretou situação crítica e passa adotar, a partir desta sexta-feira (19), às 6h, sistema de rodízio nos 92 bairros que são abastecidos pelo manancial.
Na prática, a manobra nos registros da ETA acontecerá a cada 24 horas e será alternada entre as regiões da Vila Falcão/Bela Vista e Centro, sempre das 6h às 6h (veja a lista completa no quadro acima). Cerca de mais de 130 mil habitantes residem nessas regiões.
A medida foi adotada após uma reunião da diretoria do DAE na tarde de quinta-feira (18). A autarquia defende que a situação é emergencial, porém, temporária, já que há previsão de chuva entre hoje e o final de semana.
O DAE, entretanto, frisa que a normalização do sistema dependerá da intensidade das chuvas, ou seja, a interrupção da manobra só acontecerá caso o acumulado da chuva eleve o nível da lagoa para mais de 2 metros. Vale lembrar que 2,60 metros é o nível considerado ideal.
“As demais regiões, que são abastecidas por água subterrânea (poços), não serão afetadas pela interrupção no abastecimento de água”, ressalta o DAE, por meio de nota.
Garantia
A proposta do rodízio, segundo a autarquia, é garantir distribuição de água nos pontos que têm mais sofrido com desabastecimento nos últimos dias.
“As partes baixas de alguns bairros estão recebendo água e os pontos mais altos não. A ideia é equalizar isso tudo e prevenir uma situação ainda mais crítica”, informa a assessoria de comunicação da autarquia.
Para se ter ideia, da última sexta-feira até quinta (18), foram registradas 570 reclamações de falta d’água na autarquia e mais de 300 pedidos de caminhões-pipa.
Critérios
João Rosan |
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O nível atual é o menor do Rio Batalha neste ano e perde apenas para o registrado em 2006 |
O critério para definir o esquema de rodízio, segundo a autarquia, considera manobras operacionais, que obedecem a critérios exclusivamente técnicos.
“A ETA possui duas saídas de água, uma vai para o sistema que abastece a Vila Falcão e Bela Vista e a outra para o Centro. Quando um registro estiver ligado, o outro ficará desligado”, afirma o DAE por meio de sua assessoria.
Conforme o JC divulgou, o DAE esclarece que rodízio, pressupõe o estabelecimento de horários para abastecer cada setor/bairro. Já racionamento, que não está nos planos da autarquia, envolveria redução no volume total de água distribuído para todos.
Vale ressaltar que, durante as manobras na rede, alguns bairros que são abastecidos em conjunto pelo manancial e por poços artesianos poderão apresentar água nas torneiras mesmo durante a interrupção. São eles: o Bela Vista, Vila Camargo, Vila Seabra e Vila Quaggio, Vila Industrial e proximidades da Vila Inglesa.
Consumidores que não possuem caixa d´água domiciliar poderão ficar desabastecidos por mais tempo. “O DAE recomenda que cada imóvel tenha reservação com capacidade para atender as necessidades por, no mínimo, 24 horas”, frisa a autarquia.
A autarquia alerta ainda que, para que o rodízio não se prolongue, a participação da população é fundamental. “Neste momento, o uso da água deve ser priorizado para a alimentação e higiene pessoal, evitando-se alguns hábitos ainda comuns, como banhos longos, lavagem de carros e calçadas com mangueira e lavagem de louças e roupas com a torneira o tempo todo aberta”, ressalta.
Histórico
Responsável por 38% do abastecimento na cidade – os outros 62% são oriundos de poços artesianos que captam água do Aquífero Guarani -, o Batalha supre a necessidade de 92 bairros espalhados entre as regiões da Vila Falcão, Centro, Bela Vista, Estoril, Altos da Cidade, Vila Universitária e Jardim Ouro Verde.
Conforme o JC noticiou na quinta-feira (18), este é o menor nível do rio neste ano e perde apenas para o registrado em 2006, quando a lagoa de captação chegou a 50 centímetros. Naquela época, o sistema de rodízio não foi adotado.
Além da estiagem prolongada, o aumento do consumo de água na cidade em razão das altas temperaturas registradas em pleno inverno e a baixa umidade relativa do ar contribuíram para o rebaixamento da represa.
Segundo a autarquia, por conta da estiagem, 14 milhões de litros estão deixando de ser produzidos por dia na ETA.
O rompimento de uma adutora no Jardim Bela Vista, no início da semana, afetou ainda mais o problema na cidade. O reparo ainda não havia sido concluído até a tarde de quinta-feira (18).
Até o prefeito Rodrigo e a vizinha do DAE estão com torneiras secas
Parece que falta água em Bauru todo. Nos últimos dias, nem a vizinha do DAE e o prefeito escaparam. A engenheira civil Ana Lúcia Bueno, de 54 anos, que mora próximo à autarquia, conta que as torneiras secas transformaram a rotina da família, que passou a seguir em caravana para um clube da cidade para conseguir tomar banho. “Quando a água vem, vem fraca e a caixa não enche. Estamos nos virando com os baldes que restaram, mas isso já dura uma três semana, pelo menos”, reclama.
Morador do Jardim América, Rodrigo Agostinho diz que tem se virado com o pouco de água que restou na caixa d’água. “Não sou diferente de ninguém, também estou sofrendo com esse problema”, resume. “Estive hoje mesmo na ETA. O DAE tem todo o nosso apoio para tomar essas medidas mais duras. A lagoa está quase seca e a água que sai vem com planta e entope o filtro, o que aumenta ainda mais a dificuldade e o tempo de tratamento”, frisa Rodrigo.
Serviço
Caminhões-pipa continuam sendo disponibilizados pela autarquia através do 0800-7710195, que recebe ligações apenas de telefone, ou 3235-6140 e 3235-6179 para ligações feitas por aparelho celular.
Ninguém aguenta mais: falta d’água gera manifestação na Fundação Casa
Reeducandos da unidade de semiliberdade da Fundação Casa de Bauru, localizada na Vila Lemos, região do bairro Bela Vista, realizaram um pequeno protesto na manhã de quinta-feira (18). O fato gerou a mobilização da Polícia Militar no local.
Segundo o JC apurou, o motivo do protesto foi a falta d’ água. Os internos, que estavam munidos de panelas, reivindicavam a antecipação da liberação, que ocorre tradicionalmente às sextas-feiras, conforme prega o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para poderem tomar banho em casa.
De acordo com a PM, a manifestação não resultou em danos no prédio. Uma equipe policial permaneceu em patrulhamento preventivo pelo local durante todo o dia. Um caminhão-pipa do DAE foi solicitado pelos funcionários e enviado, posteriormente, à unidade.
A assessoria de imprensa da Fundação Casa esclareceu que, devido aos problemas no abastecimento de água que ocorrem no bairro Jardim Bela Vista, a direção do centro e o judiciário estudariam a liberação em caráter excepcional dos adolescentes, caso o abastecimento não fosse realizado.
Solução dos céus?
O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informa que uma frente fria atinge a região e causa nebulosidade, mas a possibilidade de pancadas de chuvas na tarde de hoje é pequena. Amanhã, porém, o tempo deve permanecer nublado e as pancadas de chuvas com trovoadas podem ocorrer a qualquer hora do dia. No domingo, o sol volta a aparecer. A temperatura mínima para hoje é de 23°graus e a máxima de 35. Para amanhã, a máxima reduz para 29. No domingo, a temperatura mínima cai para 17°graus e a máxima é a mesma do dia anterior.

