Articulistas

A gestão econômica que precisamos

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Naturalmente que cada profissional, seja lá de que área for, indicará um desejo do ponto de vista da condução econômica do país. Eu vou elencar alguns pontos que em meu entendimento são fundamentais para o sucesso da gestão econômica a partir do ano que vem. Um ponto primordial na gestão econômica federal é o controle das contas públicas. E inadiável recuperar o denominado superávit primário, isto é, fazer com que a receita tributária menos gastos gerais (sem contar juros da dívida pública) feche no azul, ou melhor, em um azulão. Não pode ser pouca coisa.

Tomada as devidas proporções, buscar o superávit primário é o mesmo que uma família que recebe por mês R$ 3.000,00 de salário e deverá gastar menos que isso, por exemplo R$ 2.500,00. Com este excedente, consegue pagar juros e amortizar dívidas. Um governo que não gera excedente primário só faz aumentar seu endividamento, levando ao descrédito total na condução da economia. Gastar em custeio menos do que arrecada também gera excedentes para investimentos, estes fundamentais para sustentar o crescimento do país. Em resumo: gerar sobras entre receitas e despesas, demonstrar que o endividamento público está sob controle e canalizar recursos para investimentos seriam o primeiro ponto a ser atacado.

Na esteira deste comportamento a confiança dos agentes econômicos seria resgatada e ficaria mais fácil implementar outros pontos importantes na gestão econômica, como por exemplo o controle inflacionário. Iniciar 2015 com preços sob pressão não é o melhor dos mundos. Parte dos preços indexados levará consigo toda a alta verificada neste ano e, além disso, o poder de compra do trabalhador ficará comprometido.

A saída será combinar ações ortodoxas com heterodoxas. A ortodoxia virá do primeiro ponto aqui focado: controle das contas públicas gerando excedentes para investimentos. É uma mudança de atitude do setor público. A heterodoxia virá do controle dos preços no mercado. Acordos setoriais, ampliação da oferta de produtos via importação, elevação dos juros, são alguma práticas que permitirão conter a escalada de preços. A estabilidade duradoura terá que ser buscada com as reformas tão alardeadas desde o lançamento do Plano Real em 1994 e pouco praticadas até agora. Choque de oferta com reformas estruturais oferecem condução equilibrada da economia, sem gargalos.

O terceiro ponto é a retomada do crescimento econômico. Não é possível aceitar que a economia brasileira, com o potencial que este mercado oferece, patine, gere crescimento abaixo de 1% ao ano. Não crescer acima de 4% ao ano pode ser considerado um desastre para o estágio atual da economia nacional. Observem que são pontos levantados no debate eleitoral. O grande desafio é saber: quem é mais capaz de conduzir a economia nacional na direção certa, que contemplo crescimento econômico, estabilidade de preços, geração de empregos e distribuição justa de renda. A expectativa é que o nível de debate se eleve, que deixem de lado os ataques pessoais e os candidatos efetivamente clareiem o que pretendem fazer para que a economia brasileira trilhe um caminho seguro. Estes são alguns pontos que entendo necessários para economia nacional. Quais são os seus? Exercite isso.

O autor é economista e articulista do JC

Comentários

Comentários