Uns amam, outros odeiam. A primeira proposta que se tem notícia ocorreu em 1784, nos EUA. O fundamento de Benjamin Franklin era economizar velas nas fábricas e residências adiantando o relógio durante o verão. O primeiro embate público ocorreu em 1907, instigado por William Willet, da sociedade astronômica inglesa. Mas não prosperou.
Na Primeira Guerra Mundial, em 1916, a Alemanha curvou-se para a necessidade de adotar o Horário de Verão (HV), seguida por outros países. A economia de eletricidade reduziu o consumo da principal fonte energética da época: o carvão. Em 1918 foi a vez dos EUA. Em 1931, o presidente Vargas instituiu o HV no Brasil, pautado nas experiências consolidadas de economia de eletricidade dos percursores. O relógio foi adiantado em uma hora. Desde Franklin, o propósito do HV era aproveitar a luz dos dias de verão, que são mais longos, motivando redução no consumo de luz artificial. Porém, outras motivações agregaram: mais tempo para o lazer e a redução da criminalidade. Nos EUA e Europa, o HV é de abril a outubro (mais de 200 dias).
No Brasil, a edição atual é a 41ª (30 consecutivas, após 1985). No início, em todo território nacional. Como a duração do HV é em função da claridade natural (fotoperíodo), hoje abrange apenas o Distrito Federal e 10 Estados (Sul, Sudeste e Centro Oeste), onde vivem 70% da população brasileira. Em nossa região, o relatório do IPmet ? Instituto de Pesquisas Meteorológicas que encomendei quando no Gabinete da Prefeitura de Bauru, em 2002, para subsidiar estudos de iluminação pública, aponta o fotoperíodo, de cada dia no ano:
1. Início HV (19/10/14): 12h35; 2. Fim de dezembro (dias mais longos): 13h28; 3. Fim HV (22/02/15): 12h46. Em nível nacional, no aspecto financeiro, mesmo havendo redução no consumo de eletricidade, a economia prevista é de R$ 278 milhões. Menor que 2013, cuja economia foi de R$ 405 milhões, em função do uso das termoelétricas, motivado pelos baixos níveis dos reservatórios de água (27%, nível dos reservatórios nacionais). No aspecto satisfação à população, "o HV tem correspondido às expectativas", afirma o Ministério de Minas e Energia..
Em nossa região, a vivência no setor elétrico permite-me constatar que em fevereiro, agravado pelo início do período escolar, o desconforto se manifesta nas famílias. Para se dirigirem ao trabalho ou levarem os filhos às aulas, apesar de termos os dias mais longos, as pessoas são obrigadas a levantar antes do sol nascer e movimentar dentro de casa com as lâmpadas acesas, em antítese à filosofia do projeto. Reitero o que sempre constatei na maioria da população, sobre o HV: aceita no início, é eufórica no meio e repudia no final.
O autor é presidente do Lions Bauru Centro, membro da Comissão Assuntos Comunitários da OAB, diretor do Lar para Cegos Santa Luzia e conselheiro de Ética do Conseg Centro Sul, representando a Assenag