João Rosan |
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Paralisada por conta da falta de abastecimento de água, agência bancária no Centro da cidade estampou aviso aos clientes
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Com o decorrer dos dias e sem uma solução definitiva, a situação começa a se tornar cada vez mais crítica. E a população sofre não só com a falta da água, mas com a consequente suspensão de serviços. A agência do Banco do Brasil, localizada na rua Virgílio Malta, Centro, e quatro escolas municipais não funcionaram ontem. Mais grave: alguns hospitais estão conseguindo atender somente por meio dos caminhões-pipa.
Foi o caso da Maternidade Santa Isabel e do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), conforme informou a assessoria de comunicação da Famesp. “Os atendimentos e cirurgias estão acontecendo normalmente”.
Outros serviços seguem na dependência de caminhões d’água. Foi o caso da Vara de Execuções Criminais (VEC) e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
E parece que ninguém escapa mesmo do problema. Na Câmara Municipal, o presidente Sandro Bussola pediu para comprar copos de água.
Na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Aracy Peregrina Brazoloto, na Vila Dutra, as atividades foram suspensas pela manhã, contudo, voltaram a funcionar à tarde depois de ser abastecida por um caminhão.
Na Emei Jaty Queiroz de Gorreta, na Vila Dutra, o DAE também fez a entrega da água à tarde. Porém, os funcionários estavam preocupados, porque a escola só possui um reservatório de mil litros para atender 84 alunos matriculados.
Quanto à Emeii Lilian Aparecida Passoni Hadad, no Leão 13, a instituição manteve apenas 30 estudantes de um total de 160, porque os responsáveis não tinham como retirá-los de lá. No fim da tarde de ontem, um caminhão-pipa chegou até o endereço, mas só metade do reservatório foi enchido, porque os moradores da região cercaram o veículo e levaram água para as suas casas.
A Emei Antonio Daiben, na região do Parque Santa Edwirges, teria resolvido fechar as portas por volta das 9h da manhã de ontem, duas horas depois de os responsáveis terem deixado os filhos na escola. “Eu tive de pedir para a minha avó, que tem 78 anos e anda com dificuldades, buscar a minha filha, porque eu estava trabalhando”, conta a mãe de um aluno, que preferiu não ser identificada. O DAE informou que enviaria um caminhão-pipa para lá ontem à noite.
Em relação à agência bancária na Virgílio Malta, a assessoria de comunicação do Banco do Brasil informou que funcionará normalmente durante o dia de hoje.
Sobre as escolas estaduais, a assessoria da Secretaria de Estado de Educação garantiu que nenhuma delas foi vítima do desabastecimento.
Zona Eleitoral
A 23.ª Zona Eleitoral de Bauru só não fechou as portas novamente porque o juiz Gilmar Ferraz Garmes oficiou o DAE para priorizar o fornecimento de caminhões-pipa, tendo em vista que o País passa por período eleitoral.
“Chegou o caminhão-pipa por volta das 14h (de ontem). Nós atendemos normalmente e o juiz eleitoral já oficiou o DAE para tomar as providências necessárias, caso a gente precise abastecer a caixa d’água. Pediu prioridade por conta das eleições também. Não temos mais tempo para ficarmos fechados”, destacou o chefe da 23.ª Zona Eleitoral de Bauru, Munir Sayed.
Quase pararam
No Centro da cidade, a joalheria de Paulo José Carrero Corrales usou água mineral para dar conta do serviço de seus clientes. “Usamos a água o tempo todo aqui para limpar as joias e as mãos, por exemplo. Estamos usando água mineral para conseguir entregar o trabalho em dia”.
Se não fossem as duas caixas d’água, o empresário Osmar Polido Júnior, 46 anos, tinha fechado as portas do seu restaurante nesta semana. “Desde segunda estamos sem água, mas as nossas caixas deram conta. Hoje pela manhã acabou tudo. Tive que ir buscar em um ponto de abastecimento do DAE e fervemos a água para podermos fazer as refeições. Um dos banheiros deixamos aberto e o outro fechamos”, comentou.
Nem pagando: caminhões-pipa particulares somente para domingo
Mesmo quem se propõe a pagar pela água, não está encontrando. O JC realizou uma pesquisa com duas empresas particulares que fornecem caminhões-pipa na cidade e elas afirmam que a demanda está muito grande.
A reportagem foi informada pelos estabelecimento de que a previsão para conseguir um caminhão-pipa é somente para domingo.
Só o DAE recebeu 158 pedidos de caminhões entre 0h e 17h30 de ontem. Quando há interrupção do abastecimento, a autarquia fornece o serviço gratuitamente através do telefone 0800-7710-195, levando em consideração que escolas e unidades de saúde têm prioridades.
Sem água, Casa da Sopa suspende fornecimento refeições
“Chegamos a ficar sem comer nesses dias e estamos nos virando com doação de legumes e pães”. O depoimento é da dona de casa Maria Aparecida Rodrigues, 52 anos. Ela, assim como muitas famílias, dependem de alimento oferecido pela Casa da Sopa, na Vila Dutra, para sustentar a residência. O problema é que, há oito dias, não é possível preparar o “sopão” por causa da falta d’ água que assola o bairro - e toda a cidade.
Para piorar ainda mais a situação, Rodrigues mora na Vila Industrial e caminha mais de um quilômetro embaixo do sol escaldante para receber a sopa, que é fundamental para alimentar ela, o marido, dois filhos, três sobrinhas e três netos. “Nunca sabemos quando a água pode voltar, então a gente vem todo dia”, disse.
Na tentativa de minimizar o problema, a coordenadora de trabalhos voluntários da entidade, Rose Lopes, está doando os ingredientes da sopa para a população. “Estamos dando legumes, pão e macarrão. Porém, muitos moram nas ruas e não tem condições de cozinhar. O pão é duro e também não dá para fazer lanche ”, observa.
“A maioria que vem aqui, tem a sopa como única refeição do dia. São mais de 300 pessoas que deixam de comer todo dia”, acrescenta. Lopes, explicando ainda que o bairro é abastecido por dois poços artesianos que ficam no Parque Real.
Vazio
Visivelmente cansado e abatido, o motorista Mário José Caserta, 55 anos, esperava por boas notícias ontem em frente à Casa da Sopa. Com um galão de 20 litros vazio nas mãos, ele, que é morador da Vila Dutra, contou que está armazenado água para os dias mais críticos. No entanto, nem isso conseguiu.
“A água não chega. Já caminhei quase o bairro todo e nada. Onde isso vai parar?”, questionou. A cena em volta do motorista dava a dimensão do impasse. Moradores permaneciam sentados sobre a sarjeta, sem alternativas. “Daqui a pouco o pessoal vai embora, infelizmente, com as mãos abanando”, lamentou Rose Lopes.
Principal refeição
“Tenho oito filhos e um netinho de seis meses de vida. Dependemos da sopa. É a principal refeição da nossa família”, disse a manicure Maria Delia Gomes, de 35 anos. Ela mora na Vila Industrial.
“Ando mais de dois quilômetros para vir buscar a sopa. Às vezes, um dos meus filhos me acompanha. Temos a esperança de voltar a água e ganhar a sopa”, disse.
