Os elevados índices de abstenção, votos nulos e em branco merecem uma análise e um estudo no sentido de detectar se o povo simplesmente está desiludido com a classe política brasileira ou está na hora da adoção do voto facultativo. É certo que há um desânimo da população com os rumos da nossa economia e com os crescentes e volumosos casos de corrupção envolvendo deputados, senadores, membros do governo e diretores das estatais, incluindo-se aí dirigentes partidários.
Qualquer ladrão de galinhas, quando é apanhado pela polícia, após julgado vai para as grades. Com os gatunos do erário as coisas não ocorrem nesse formato. Após julgados e condenados, têm direito a uma cadeia especial, onde só vão para dormir, ou então a tal de prisão domiciliar. Quase todos os condenados no processo do chamado mensalão estão cumprindo suas penas em casa, o que é um péssimo exemplo para toda a sociedade.
Talvez esteja nessa impunidade o fator que levou a esse alto índice de eleitores desperdiçar seus votos e sua oportunidade de se livrar de uma série de malandros encastelados no Congresso, nas Assembleias e no próprio governo. Deixar de votar ou não ter discernimento para escolher um candidato, resvala também na omissão e não concorre para um pleno estado democrático. Daí, talvez a aplicação do voto facultativo, venha a concorrer no futuro, para que a sociedade comece a adquirir a devida responsabilidade para com os destinos do seu país.
Outro ponto a ser analisado é o tal do voto de protesto, voto esse que elege os tiriricas da vida, e na verdade revela o número de idiotas em casa estado. Um cidadão bem formado, quando protesta contra um governo ou um estado de coisas, deve fazê-lo de forma a mudar as coisas com as quais não está concordando. E não vai ser dessa forma, que vai consertar as coisas erradas deste país. De acordo com os dados de organismos que estudam a composição do nosso Congresso, aumentou o número de deputados e senadores conservadores.
Com isso, as perspectivas de mudanças nos rumos e no avanço da sociedade brasileira ficam cada vez mais distantes, e devemos isso aos que se omitem nas eleições, aos que elegem representantes desprovidos de condições mínimas de conhecimentos gerais, que tratam o período eleitoral como se fosse uma das costumeiras galhofas que produzem na televisão.
Enfim, só nos resta aguardar o que nos reserva a realização do segundo turno desta eleição. Após essa decisiva etapa, com a complementação do processo eleitoral, teremos uma visão mais efetiva sobre o que nos aguarda no futuro deste país.
O autor é jornalista, colaborador de Opinião