Política

Câmara aprova Táxi Acessível

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Taxistas param em protesto contra projeto

Apesar da forte resistência de taxistas de Bauru, os vereadores aprovaram por unanimidade, ontem, o projeto de lei que abre três vagas para o Táxi Acessível na cidade, destinado ao transporte de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, por meio da adaptação de veículos.

Em protesto à proposta, de autoria do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) após inúmeras reivindicações do vereador Fábio Manfrinato (PR), o Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região organizou uma paralisação na manhã de ontem.

Presidente da entidade, Vitor Talão afirma que todos os taxistas com ponto no Terminal Rodoviário e alguns que atuam em outros locais da cidade cruzaram os braços entre as 10h e 11h30 dessa terça-feira.

No período da tarde, Talão esteve na sessão da Câmara Municipal, onde apresentou aos parlamentares argumentos contrários ao projeto do Táxi Acessível. A oposição do líder sindical à proposta provocou, inclusive, um bate-boca entre ele e Manfrinato, no plenário legislativo. A reportagem presenciou ambos trocando até ofensas pessoais.

A polêmica levou o presidente da Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli, à sessão dessa segunda-feira para explicar o teor do projeto aos parlamentares.

“Está faltando informação na discussão da proposta. O poder público não vai obrigar os taxistas a adequarem seus veículos para atender passageiros com mobilidade reduzida. Se quem já trabalha tiver interesse, vai dispor da preferência. Caso contrário, vamos abrir processo de seleção para ocupar essas três vagas. Depois da aprovação do projeto, todos os procedimentos nesse sentido serão regulamentados por decreto”, pontuou Nico.

Argumentos

Vitor Talão ressaltou que nenhum taxista pensava que seria obrigado a adaptar seu veículo, mas ponderou que o projeto deveria ser discutido com mais profundidade por ferir lei municipal, que limita o número de vagas para o serviço de táxi em Bauru.

“Existem 199 veículos na cidade. A lei não permite mais do que isso, pois fixa que deve haver um para cada 2.500 habitantes. Em tese, já são 59 carros a mais, mas eles já operavam antes da criação dessa regra, por isso, manteve-se o excedente. Portanto, não podem criar mais três vagas”, explicou o presidente do sindicato.

A única saída, segundo Talão, seria que os três táxis acessíveis atuassem, exclusivamente, no transporte de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, ficando impedidos de atender a demanda geral. O governo municipal entente, no entanto, que a limitação inviabilizaria o projeto, que não atrairia interessados.

Vitor acredita que a proposta não vai despertar o interesses do taxistas que já trabalham na cidade. “Não há isenção de imposto para a compra do equipamento que permite a acessibilidade. A gente já sente dificuldade de vender os nossos automóveis, que ficam muito desvalorizados, mesmo com a renovação a cada três anos. Imagina, então, um veículo adaptado? Em alguns modelos, é preciso rasgar o teto do carro para instalar os equipamentos”, pontuou. O vereador Fábio Manfrinato comemorou a aprovação do projeto. Segundo ele, a cidade de São Paulo já dispõe de 90 táxis acessíveis. “A demanda é crescente e Bauru não pode ficar para trás nisso. É uma questão de direito”.


Markinho estreia como líder do prefeito na Câmara

A sessão de ontem marcou a estreia de Markinho da Diversidade (PMDB) como novo líder do governo Rodrigo Agostinho (PMDB) na Câmara Municipal. Ocupante do posto ao longo dos últimos seis anos, Renato Purini (PMDB) fez um balanço de sua atuação.

O vereador já havia anunciado que deixaria a liderança em 2015, mas o prefeito adiantou o processo e, sem diálogo prévio, articulou a mudança após Purini ter votado favoravelmente à instauração de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar as irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) no contrato entre a administração e a empreiteira Lacon, que reformou escolas e outros prédios do poder público municipal.

“Na semana passada, mantive a coerência na necessidade de proteger o prefeito. Em um futuro próximo, vocês vão entender. As minhas últimas ações foram para demonstrar a necessidade de mudanças nesse governo”, desabafou Purini, na tribuna.

Antes do discurso de Renato, Markinho já havia elogiado a atuação de seu antecessor na liderança e destacou que não planejava ocupar o posto. “Na política, sou um embrião. Nunca havia pensado em ser vereador, segundo secretário (da Câmara), muito menos líder do governo”. O peemedebista afirmou que defenderá todas as propostas que julgar positivas para a cidade, que não deixará de apontar problemas e que, no Legislativo, ouvirá tanto a base governista quanto a oposição. “Prefeito, espero não decepcioná-lo”, encerrou.

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