Tribuna do Leitor

A ALL, a falsa privatização e as nossas ferrovias


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A América Latina Logística (ALL) foi responsável por 370 acidentes ferroviários, totalizando 46,4% do total dos acidentes ferroviários do País, com 113 vítimas, incluindo oito fatais, realizando apenas 10,45% do tráfego medido em toneladas úteis, conforme dados publicados na Revista Ferroviária (Toller, 2014). De pouco adiantaram os R$ 23 milhões de multas aplicadas, mesmo porque nunca foram pagas.

Quando da ocorrência de acidentes ferroviários em nossa região, a desculpa é sempre a mesma: "Os mesmos serão objetos de investigação e os resultados sairão dentro de um mês". Grande enganação!

No tempo da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) a causa era descoberta no dia, após relatórios da via permanente, mecânica, transportes e segurança do tráfego. Em nossos estudos da Comissão Permanente de Laudos, sabia-se que 85% dos acidentes eram devido a via permanente (trilhos, dormentes, lastro), 10% eram devido a falhas mecânicas e 5% devido a falhas do tráfego (humanas).

Tudo isto decorre do modelo de privatização de nossas ferrovias, copiada "ipsis literis" do modelo argentino, e que já não estava dando certo por lá. A ALL, até anos atrás, estava na Argentina, e não foi sem razão que o governo argentino retomou as ferrovias, por estarem no mesmo estado da atual das nossas. Acontece que o que houve foi um arrendamento financiado pelo BNDES por 30 anos e regido por cartas de intenções que nunca foram cumpridas por nenhuma das empresas subsequentes à RFFSA, ou seja, Novoeste, Brasilferrovias e ALL.

A via permanente continua em situação crítica, a dormentação trocada na base de um dormente novo a cada cinco dormentes, deteriorados, colocados apenss para evitar a abertura dos trilhos. Quando a ALL anuncia a compra de 150 mil dormentes, sabendo-se que a taxa é de 1.400 dormentes por quilômetro, conclui-se que esta quantia cobriria apenas 107 quilômetros de via. Para uma extensão total de 1.660 quilômetros, isto representa 10% do total. Fora isso, os trilhos gastos continuam os mesmos, explicando a velocidade média de 20km/hora (se correr mais, cai). No tempo da RFFSA, pelo menos a velocidade era de 55 a 60 km/hora.

Não podemos esperar muito para o futuro, pois faltando apenas 12 anos para terminar a concessão, as empresas não irão gastar o necessário para a modernização das ferrovias, o sucateamento continuará e depois devolverão o osso para a viúva! Quem viver, verá!

Eng. Odir Gil de Souza

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