Foram interrogados ontem, pela Justiça Federal de Bauru, três dos nove réus da ação penal movida por supostas fraudes nas fichas de atendimento ambulatorial do Sistema Único de Saúde (SUS), no departamento de bucomaxilo do Hospital de Base (HB).
O possível esquema, que envolveria desvio de recursos públicos, superfaturamento e cobranças indevidas, veio a público após a deflagração da Operação Odontoma, em 2009, quando a unidade era gerenciada pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Nessa terça-feira, foram ouvidos Joseph Saab, então presidente da entidade; seu filho Marcelo Saab, dentista do setor bucomaxilo; e o ex-conselheiro da associação Célio Parisi.
Entre hoje e amanhã, mais seis réus prestarão depoimentos: Vladmir Scarp, Samuel Fortunato, além de Maria Lúcia Saab, Reinaldo Rocha, Deivis Gonçalves e Antonio Carlos Catharin. Eles são acusados de formação de quadrilha, peculato, estelionato, falsidade ideológica e subtração de documentos.
Os interrogatórios estão sendo conduzidos pelos juiz da 2ª Vara Federal, Marcelo Freiberger Zandavali. Os trabalhos foram acompanhados pelo Ministério Público Federal (MPF), de onde partiu a ação penal. O procurador Fabrício Carrer afirmou, ao final da tarde de ontem, que não houve surpresa nos depoimentos dos três primeiros réus inquiridos. Segundo ele, depois que todos forem ouvidos, será aberta a possibilidade para que novas testemunhas sejam chamadas, acareações sejam requisitadas ou novas provas documentais, solicitadas. Depois disso, tanto o MPF quanto a defesa dos acusados apresentarão as alegações finais ao juiz.
Advogado de Joseph Saab, Edson Reis afirmou, depois do interrogatório, que está confiante no sucesso da defesa e que ficará comprovada a inocência de seu cliente. Célio Parisi, por sua vez, declarou que também está confiante e tranquilo, pois a verdade o favorece. Advogado de Marcelo Saab, André Velozo não acompanhou o depoimento do acusado e preferiu não se manifestar.
Operação
Há pouco mais de cinco anos, no dia 29 de outubro de 2009, 60 policiais federais desencadearam a Operação Odontoma – ação do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e Polícia Federal (PF) – para apurar a destinação de R$ 16 milhões obtidos em empréstimo junto à Caixa Econômica Federal (CEF), origem de honorários pagos aos cirurgiões-dentistas da equipe de bucomaxilo, aquisição de insumos, equipamentos e medicamentos e a compra e utilização de materiais cirúrgicos na AHB. Na ocasião, toda a diretoria da instituição foi afastada e seis pessoas foram presas, mas, depois, liberadas.