Tribuna do Leitor

A moda


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A moda representa também a luta do forte com o fraco. As sociedades mais poderosas ditam as regras a serem seguidas. Às vezes, observa-se um certo mando dos povos mais importantes para com os menores. Lembro-me que as meninas do Ginásio do Estado, de Campinas, colocavam pesos na barra da saia para impedi-la de flutuar aos ventos, que, segundo se dizia, vinham de Jundiaí.


Todavia, anos depois, a maioria delas teve de arcar ao comando das mini-saias de Mary Quant. Quanto aos ternos masculinos, lembro-me que muitos seguiam os filmes. Certa vez, meu irmão fez um terno igual ao que vira no James Stewart em um filme. Não me lembro de ter passado por um poderio dos cabelos longos femininos, como acontece hoje. Não me parece uma medida democrática, inicialmente porque nem todas as mulheres os possuem. Obrigá-las a entrar nessa onda depende de seu tipo de cabelo, coisa difícil de se encontrar numa descendente das africanos ou das orientais. De minha parte, certa vez fiquei magoado por não me convidarem para falar num comício do Montoro, visto por umas 500 pessoas nas Nações Unidas. Até que meu cabo-eleitoral me tranquilizou. Subir lá tanto pode ajudar como atrapalhar, disse ele. É mais ou menos o que ocorre com os cabelos longos femininos. As moças se vestem caprichadamente e seus cabelos longos nos dão a ideia de uma certa defasagem. Ou seja, a roupa usada apresenta-se bem atualizada e os cabelos trazem uma ideia de época medieval. Forma-se um entrechoque temporal.

Além do que alguns cabelos muito grandes não se encaixam no quadro geral, a meu ver. Como passei a infância em Botucatu, onde, na minha época, como em todo lugar, corriam histórias de fantasmas, mulas-sem-cabeça etc, um dia, aqui em Bauru, levei um susto. Dei de cara com uma cabeluda na saída do elevador. Ela usava um batom mais vermelho que a camisa do Flamengo. Numa fração de segundo voltei à infância. Parecia ter encontrado um ente do outro mundo. Alem de tudo, não vou muito com a cara do Mel Gibson, Brave-heart. Algumas moças exageram demais. Com sua bela cabeleira, chegam a dar a ideia de que pertencem ao bando armado do Brave-heart, que por sinal não é demérito algum, embora não combine com o gosto de alguns poucos atrasadões como eu.

Rui Bertoti

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