Política

Câmara pede carta branca a Bucceroni

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Repercutiu na sessão legislativa de ontem a primeira mudança da minirreforma no governo prometida pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Célio Bucceroni assumiu a Secretaria de Administração nesta segunda-feira, no lugar de Richard Vendramini, que perdeu o cargo na semana passada. Na Câmara Municipal, parlamentares pediram autonomia para que o novo comandante da pasta tome as medidas necessárias e esperadas.

Líder da oposição, Lima Júnior (PSDB) elogiou a troca. O tucano frisou que não possui relações de amizade com Bucceroni, mas que, durante a gestão Tuga Angerami, acompanhou o trabalho desenvolvido pelo novo secretário, então como assessor do prefeito.

“Ele sempre demonstrou seriedade, comprometimento, idoneidade e, principalmente, conhecimento da máquina pública”, destacou.

Para o parlamentar, no entanto, é fundamental que Rodrigo dê “carta branca” para que a mudança de secretário culmine em resultados positivos para a administração.

“Se ele [Bucceroni] tiver liberdade, casos como o da Lacon não voltarão a acontecer no município. Que a mudança não seja apenas uma tentativa de dar respostas à opinião pública”, completou Lima, referindo-se ao polêmico contrato da prefeitura com empreiteira que promoveu reformas em escolas e outros prédios do município.

Presidente do Legislativo, Sandro Bussola (PT) também destacou a importância de que o novo secretário tenha autonomia para trabalhar, inclusive na montagem da equipe do segundo escalão da pasta.

“Os diretores precisam ser de confiança dele, privilegiando, é claro, os servidores de carreira. Quanto aos cargos de livre nomeação, que seus ocupantes tenham formação técnica e não venham de indicações políticas. A Secretaria de Administração é o coração da prefeitura”, avaliou o petista.

Para o presidente, é natural que, no segundo mandato do prefeito, haja uma sensação de cansaço quase generalizada por parte dos agentes públicos, o que justifica a necessidade de mudanças.

“A pasta precisa dialogar mais com o próprio prefeito, com a Secretaria de Finanças e tem como principal desafio, agora, reduzir as despesas com a máquina pública diante do cenário fiscal apertado. Para isso, é preciso de um novo gás e de criatividade. Estamos esperando um processo de enxugamento”.

Debate superado

Para Markinho da Diversidade (PMDB), líder do governo na Câmara, a discussão sobre a autonomia de Célio Bucceroni à frente da Secretaria de Administração não parece relevante. Segundo ele, seu antecessor já possuía “carta branca” para atuar.

“Acho que esse não é o ponto. O Richard Vendramini era um excelente gestor e trabalhava com liberdade. O que lhe faltou e acabou motivando algumas críticas era a falta de interação política”, ponderou o peemedebista.


Amigos à parte

Cada vez mais crítica ao governo, mesmo pertencendo à base e estando no partido do prefeito Rodrigo Agostinho, a vereadora Telma Gobbi (PMDB) não teceu comentários sobre a nomeação de Célio Bucceroni. Contudo, fez um alerta ao chefe do Executivo sobre a condução de suas próximas escolhas na minirreforma do primeiro escalão.

“As mudanças são necessárias para reorganizar e oxigenar. Prefeito, analise com muita serenidade. O amigo compreende as necessidades e ajuda para que elas sejam supridas. A amizade não deve ser um critério”, disse a peemedebista, referindo-se à composição do governo.

Coincidentemente ou não, Richard Vendramini integrava o grupo de secretários de confiança pessoal de Rodrigo. As próximas alterações devem ocorrer em outras pastas chefiadas por amigos do prefeito. É o caso de Paulo Ferrari, do Planejamento.


Vereadores querem aplicação do Plano de Águas

Acontece amanhã, às 17h, a audiência pública para discutir a crise hídrica em Bauru e para que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) apresente o Plano Diretor de Águas, contratado para definir as políticas públicas do setor para os próximos 20 anos.  Vereadores subiram à tribuna para expressar a importância de que a autarquia siga o que foi apontado pelo estudo, cuja qualidade técnica foi endossada durante a sessão.

Fabiano Mariano (PDT) afirmou que, para os próximos gestores, independentemente de governo, o plano deve ser o “regimento interno” do DAE. Sandro Bussola (PT) preferiu chamá-lo de cartilha.

Já Renato Purini (PMDB) sugeriu que as ações propostas pelo estudo tenham força legal por meio de decreto ou mesmo de lei municipal. Para Raul Gonçalves Paula (PV), é preciso fixar metas obrigatórias de execução de obras a partir do plano.

Orçamento

Os parlamentares aprovaram o projeto que altera a destinação de R$ 5,8 milhões do orçamento do DAE. Inicialmente, os recursos seriam aplicados em obras de setorização da rede e na construção de reservatórios. Como as intervenções não saíram do papel, o dinheiro será realocado para o pagamento de salários e de contas de energia.

O debate propiciou críticas de Lima Júnior (PSDB), que destacou a incapacidade de execução da autarquia. Somada ao tucano, Telma Gobbi (PMDB) frisou a responsabilidade de Rodrigo Agostinho (PMDB) sobre a crise no abastecimento.

Ambos pontuaram que os riscos eram conhecidos há muito tempo pelo prefeito, que, antes de chegar ao Palácio das Cerejeiras, já havia comandado a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).

Líder do governo, Markinho da Diversidade (PMDB) rebateu, alegando que remanejamentos no orçamento são comuns. Ele afirmou ainda que a setorização da rede não foi executada porque, para ser viabilizada em toda a cidade, custará R$ 200 milhões.

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