Polícia

Bando explode caixas eletrônicos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Em uma ação ousada numa das avenidas mais movimentadas de Bauru, um bando formado por aproximadamente 12 homens rendeu funcionários e explodiu dois caixas eletrônicos entre o estacionamento do primeiro piso e a galeria de lojas de um supermercado, na quadra 36 da avenida Nações Unidas, na madrugada de ontem. Somente de um dos caixas, foram levados R$ 63.350,00.

Na ocasião, o Confiança Flex estava fechado para o público, mas cerca de dez funcionários entre seguranças e pessoal da limpeza trabalhavam no local. Por sorte, ninguém ficou ferido.

O poder bélico e a estrutura da quadrilha, que utilizou fuzis e carros com motores potentes na ação, chamou a atenção da polícia, que já analisa a imagens do circuito de segurança do estabelecimento em busca de pistas para tentar chegar aos autores, que usavam capuz no momento do crime (leia mais abaixo). A quantia em dinheiro levada do segundo caixa eletrônico não foi informada. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso.

Outro ponto que demonstrou como a ousadia dos criminosos parece não ter fim foi o alvo, que fica bem próximo da Base da Polícia Rodoviária e também a alguns quilômetros do Batalhão da PM.

Ação

O crime aconteceu às 3h40 no corredor de acesso entre o estacionamento do primeiro piso e a galeria de lojas, do Confiança Flex. A Polícia Civil estima que a ação tenha durado menos de dez minutos.

Ao todo, foram três explosões e, dos cinco caixas eletrônicos existentes, dois ficaram completamente destruídos - um da Caixa Econômica Federal e outro do Banco do Brasil.

“Eles romperam o portão do estacionamento com o carro, de ré, e entraram ameaçando os funcionários com armas em punho. Depois de explodirem os caixas, recolheram o dinheiro, deixando para trás cédulas de R$ 2,00 e R$ 20,00”, comenta Kleber Granja, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e responsável pelo caso. Uma antena de rádio HT também foi localizada e apreendida.

A polícia acredita que a quadrilha possuía informações privilegiadas sobre esses dois caixas específicos, já que outros terminais ficaram intactos no local.

“Foi uma ação muito ousada, em um horário de ronda policial. Se militares tivessem flagrado, poderia ter acontecido uma tragédia, por causa do alto poder bélico do grupo e do esquema de contenção contra qualquer tipo de intervenção que eles montaram no local”, ressalta Granja, afirmando que testemunhas disseram ter visto em posse dos bandidos ao menos seis fuzis e pistolas.

Um Nissan Sentra roubado no dia 23 (leia mais abaixo) foi usado para invadir o estacionamento enquanto uma caminhonete Chevrolet S10 branca cabine dupla e outro veículo escuro não identificado ficavam na espreita, em ruas laterais do estabelecimento.


Estrago

As três explosões danificaram, além dos caixas, todo o corredor. Vitrines de pelo menos três lojas de uma galeria ficaram quebradas. Para se ter ideia da intensidade da explosão, os vidros do carro de um funcionário, que estava estacionado a alguns metros, ficaram estilhaçados.

O estouro pôde ser ouvido até mesmo a quilômetros de distância, conforme a reportagem apurou. Durante a ação, uma mulher, nervosa, teria passado mal e precisou ser medicada pelo Samu após a fuga do grupo.

Uma das grades do estacionamento do primeiro piso foi danificada por um dos criminosos ao longo do crime. O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado para prestar auxílio no local, porém, ninguém ficou ferido.

A assessoria de comunicação do Banco do Brasil informou que “o núcleo de segurança da instituição está trabalhando junto às forças policiais para reduzir o impacto desta ocorrência e de outras registradas na região”. Já a assessoria da Caixa Econômica Federal destacou que “informações sobre eventos criminosos são repassadas apenas às autoridades policiais, contribuindo para o trabalho de inteligência conjunto realizado pelas polícias Federal, Militar e Civil”. Por meio de nota, o Confiança informou que a empresa está colaborando com as investigações e que o supermercado está funcionando normalmente.


Pânico

Uma das vítimas, de 23 anos, disse ao JC que os ladrões foram extremamente agressivos e provocaram pânico no local. Ela também informou que os criminosos pareciam nervosos e que discutiam bastante entre eles, inclusive, citando que a quantidade de dinheiro não era expressiva.

“Eles gritavam muito. Apontaram uma arma pra mim e eu tive que me jogar no chão. Mandaram a gente ficar deitado e, logo depois, escutamos as três explosões, uma em seguida da outra. Além de mim, havia mais quatro funcionárias”, contou a mulher, ainda nervosa. Sua identidade será preservada por questões de segurança.


Carro usado no crime foi roubado e queimado

A Polícia Militar se mobilizou o dia todo, ontem, na tentativa de encontrar os criminosos. Algumas horas após o crime, o helicóptero Águia encontrou um veículo Sentra em chamas, abandonado em um terreno na quadra 13 da rua Flávio Aredes Lopes, na região do Jardim Manchester, imediações da Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Jaú.

A reportagem chegou ao local quando o veículo ainda estava em chamas, por volta das 9h. No porta-malas, havia compartimentos internos dos caixas eletrônicos. A perícia técnica foi acionada.

Roubo


Segundo boletim de ocorrência, não há dúvidas de que o automóvel localizado foi usado no crime.

Pela numeração do chassi, descobriu-se que Sentra foi roubado de uma residência em Carapicuíba (região metropolitana de São Paulo) no último dia 23.


Grupo usou emulsão explosiva em forma de gel

Um dos detalhes do crime que chamou a atenção foi o artefato utilizado pelo bando para explodir os caixas. De acordo com Kleber Granja, trata-se de uma emulsão explosiva orgânica em forma de gel, utilizada geralmente para detonação em pedreiras. “Era um gel com uma espoleta ligada a um pavio pirotécnico. Esse produto resulta em uma explosão direcionada. Isso demonstra que essa associação criminosa é bem articulada e que seus vários entes possuem funções designadas, entre elas está essa questão da manipulação de explosivos”, avalia Granja.

Ele afirma que é a primeira vez que um crime desse tipo ocorre em Bauru. “Isso só aconteceu em cidades da nossa sub-região, onde o patrulhamento não é tão intenso. Vamos trabalhar para tentar esclarecer o mais rápido possível esse crime bárbaro”, afirma o delegado.

Os ataques ocorreram apenas dois dias após a Polícia Militar realizar uma operação inédita de combate a explosões de caixas eletrônicos e roubos a carros-fortes. A ofensiva, que mobilizou cerca de 80 policiais, buscava localizar suspeitos de cometerem estes tipos de crimes, que se tornaram frequentes na região de Bauru.

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