Em 12 dias, dois supermercados em Bauru foram alvos de quadrilha especializada em explosão de caixas eletrônicos. Nas duas ações, os bandidos usaram o mesmo modo de operação (leia mais na página ao lado). Ontem, ao menos 10 assaltantes fortemente armados com fuzis detonaram um caixa do Banco do Brasil, que fica no interior do Supermercado Panelão, na quadra 11 da avenida Rafael Pereira Martini, Jardim Redentor. A quantia levada ainda não foi informada. Os criminosos também agiram de forma parecida em Conchas.
A ousadia dos assaltantes mais uma vez chamou a atenção. O crime ocorreu a cerca de 800 metros da Base Sudeste da Polícia Militar (PM). No dia 29 de novembro, outro supermercado, no Jardim Contorno, também foi alvo de crime bastante semelhante (leia mais abaixo).
Ontem, um vigia de um posto de combustível em frente ao estabelecimento foi rendido e liberado após o roubo. Houve troca de tiros entre o bando e duas equipes de patrulha da PM. Uma viatura foi alvejada, mas ninguém se feriu. Os bandidos conseguiram fugir em dois veículos de grande porte e, até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso.
O crime ocorreu por volta das 5h50. Segundo informações de testemunhas, uma moto verde suspeita foi vista entrando no estacionamento do supermercado (que permaneceu funcionando ontem) minutos antes do crime. O condutor teria olhado para o interior da loja e saído na sequência.
Logo depois, cerca de 10 homens encapuzados e armados com fuzis chegaram em dois veículos, um deles na cor prata, possivelmente um Honda/Civic, e renderam um vigia do posto de combustíveis que fica em frente ao supermercado. Eles conseguiram acessar o interior do estabelecimento e, com um pé de cabra e artefatos explosivos, detonaram um dos cinco caixas eletrônicos do local, pertencente à agência do Banco do Brasil. O vigia foi liberado após o roubo e não se feriu.
Vidros e parte do teto do estabelecimento foram destruídos com a explosão, que também danificou um carro Hyundai HB20, que seria sorteado aos clientes antes do Natal. “Ainda não calculamos os prejuízos, que vão desde a vidraça ao forro e parte elétrica”, disse o proprietário do supermercado, Cláudio Moura.
No momento do roubo, havia alguns funcionários no estabelecimento, mas ninguém se feriu.
Em nota, o Banco do Brasil informou que área de segurança da agência está apurando o valor subtraído. Quanto à substituição dos equipamentos, “a responsabilidade é de cada instituição financeira detentora dos mesmos”, acrescentou.
Há 12 dias...
No último dia 29, caso bastante semelhante foi registrado em Bauru. Em uma ação ousada na Nações Unidas, uma das avenidas mais movimentadas da cidade, um bando formado por aproximadamente 12 homens rendeu funcionários e explodiu dois caixas eletrônicos entre o estacionamento do primeiro piso e a galeria de lojas do Confiança Flex. Somente de um dos caixas, foram levados R$ 63.350,00.
Na ocasião, o Confiança Flex estava fechado para o público, mas cerca de dez funcionários entre seguranças e pessoal da limpeza trabalhavam no local. Por sorte, ninguém ficou ferido.
No dia 4, um bauruense, de 44 anos, foi preso em uma chácara no Tangarás. Ele seria, segundo a polícia, responsável pela logística do grupo. Outro suspeito, foragido, também teria sido identificado.
‘Nosso escudo é Deus’, relatou um dos policiais que enfrentou o bando
A explosão foi tão forte que policiais militares que faziam a troca de turno na Base Leste, que fica a menos de um quilômetro do supermercado, ouviram o barulho da detonação. Três viaturas estavam próximas ao local.
“Quando contornamos a rua, ainda um pouco distantes, de imediato, não dava para perceber que se tratava de um assalto a caixa eletrônico. Nos aproximamos para fazer a abordagem e os ladrões entraram no carro. Dois deles colocaram o corpo para fora da janela do veículo e começaram a descarregar a munição contra a gente”, disse o PM, que teve a identidade preservada por questões de segurança.
Armamento pesado
Ainda de acordo com os militares, foram cerca de 20 disparos de fuzis feitos na direção deles, entretanto, um único tiro acertou uma das viaturas, no giroflex. Outro atingiu uma das portas, de raspão. “Eles nos receberam com armamento de grosso calibre. O colete não aguenta e estamos sujeitos a morrer. Nosso escudo é Deus”, disse um outro PM, que também reagiu contra a quadrilha.
As três viaturas precisaram fazer manobras para se desvencilhar da mira dos criminosos. Policiais teriam acertado dois disparos no carro da quadrilha, que conseguiu fugir, possivelmente no sentido à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP 225), a Bauru-Jaú.
Explosão foi tão forte que disparou alarme de estabelecimento vizinho
O vigia do posto de combustíveis, que foi abordado pela quadrilha, contou ter sentido “muito medo”. “Só quem passa por uma situação dessas sabe o quanto é difícil”, disse, visivelmente abalado.
Quem também relatou a tensão foi um funcionário da padaria do supermercado, que já estava no local no momento do crime. Ele contou que a ação durou pouco mais de cinco minutos. “Uma colega gritou: ‘corre que estamos sendo assaltados’. Escutei o vidro quebrando e me escondi em um depósito. Entrei em pânico”, lembrou. “O barulho da explosão foi muito forte. Depois, ouvi uns 10 tiros”, acrescentou.
As quadras 11 e 12 da avenida Rafael Pereira Martini ficaram interditadas para o trabalho de perícia técnica. Comerciantes não puderam abrir suas lojas e se mostraram indignados com a situação. “Isso gera um ‘baita’ prejuízo, ainda mais nessa época de final de ano”, criticou Marcelo Hilário, dono de uma loja de calçados. “Meu alarme chegou a disparar devido ao tremor da explosão”, completou.